sexta-feira, junho 23, 2006

Futebol: Sol e Sombra

Ilustração de Glez in Le Journal du Jeudi

A história do futebol é uma triste viagem do prazer ao dever. À medida que o desporto se transformou em indústria, foi desterrando a beleza que nasce da alegria de jogar em si.

Neste mundo do final de século, o futebol profissional condena o que é inútil e é inútil o que não é rentável.

A ninguém dá de ganhar essa loucura que faz com que o homem seja criança por pouco tempo, jogando como joga a criança com a esfera e como joga o gato com o novelo de lã: bailarino que dança com uma bola leve como a esfera que vai ao ar e o novelo que rodopia, jogando sem saber que joga, sem motivo, sem relógio e sem árbitro.

O jogo converteu-se em espectáculo, com poucos protagonistas e muitos espectadores, futebol para observar; o espectáculo converteu-se num dos negócios mais lucrativos do mundo, que não se organiza para jogar mas para impedir que se jogue. A tecnocracia do desporto profissional foi impondo um futebol de pura velocidade e muita força, que renuncia à alegria, atrofia a fantasia e proíbe a ousadia.

Eduardo Galeano

in
Futebol: Sol e Sombra

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