terça-feira, agosto 15, 2006

Romagens, Romarias

É chegar Agosto e temos mil e uma festas pelas aldeias de Portugal.
Eu não fui excepção e lá fui à Nossa Senhora da Saúde de Belide, este ano animada pela luta entre as duas partes da organização da mesma: a Comissão da Igreja e a Direcção do Centro. A situação levou à existência de dois cartazes pela primeira vez, e à duplicação de iniciativas concorrentes. As autárquicas deixam resquícios destes...


Mas vamos ao que interessa. Em que consiste uma festa deste tipo? Umas procissões e uns bailes basicamente. As ruas (ou devo dizer a rua!?) de Belide (aldeia de 300 habitantes) ficam repletas de pessoas. Ao longo da rua espalham-se barraquinhas que vendem tudo, desde restauração, roupas, brinquedos, ferramentas, farturas, algodão doce, pipocas, passando pelos já típicos carros de choque.

Em todo o concelho de Condeixa há várias festas, mas apenas persistem três com a característica de serem romarias, isto é que venham pessoas de todos o cantos da região para uma efemeridade. No dia 5 de Agosto à tarde existe uma enorme procissão, uma verdadeira romaria. Muitos idosos de toda a região chegam à aldeia através do único transporte que detém: tractor agricola. Na véspera à noite, existe também uma enorme procissão das velas.


Em ambas geralmente há pessoas a cumprir promessas, quer penosamente a efectua-la de joelhos quer simplesmente vestindo-se de "anjo". Como se vê numa destas fotos descobri que sou ainda primo afastado de São Martinho. Felizmente não vi ninguém a auto-flagelar-se de joelhos, mas apenas vi a do dia 5. Disponho de poucas fotos da festividade já que a maioria foram tiradas por uma lomo e ainda não revelei o rolo.

Até há poucos anos na figura representativa da Virgem Maria em heterónimo da Saúde eram prendidas as dávidas que lhe eram feitas. Então a procissão era como que uma bajulação ao dinheiro, já que a figura central mal se via de tão coberta de notas (principalmente francos e marcos) que estava.


Apesar de já lá não residir, entre 2000 e 2005 também pertenci à organização da parte laica da festa. Finalmente este ano tive descanso não tendo trabalho nenhum e por lá deambulando tranquilamente a meter as conversas em dia, havendo ainda tempo para inventar anedotas (ou nem por isso). Nos anos anteriores lá tinha que estar a trabalhar no bar e nos preparativos para a festa.

Uma interessante discussão pode ser tida à volta das poucas romarias e romagens que ainda persistem. Desde a sua transformação de actos pagões em convenientes manifestações religiosas que novamente se estão a secularizar, quer por outro prisma, o da aculturação derivada pela globalização nos moldes que actualmente ocorre.

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