quarta-feira, setembro 13, 2006

O homem sem passado

Li muitos comentários e análises da direita ao discurso de Francisco Louçã na noite de Guimarães na Marcha pelo Emprego. Em todos eles se tenta descontextualizar o discurso, tal como Pacheco Pereira o fez.

O discurso parte de uma citação do filme "O Padrinho". A certa altura Corleone diz "vou-te fazer uma proposta irrecusável". Algo que parece bastante atractivo, mas que na realidade se trata de uma proposta irrecusável pois não havia alternativa. Ou se aceita ou se morre.

Esta expressão foi extrapolada para a realidade dos despedimentos colectivos em Portugal. O empregador propõe ao trabalhador: "vou-te fazer uma proposta irrecusável". O trabalhador vê-se na iminência de não recusar! Ou aceita a indemnização ou vai para a rua sem nada! Não há verdadeira escolha! Note-se ainda que o BE na Marcha apresenta projectos-lei no sentido de acabar com as rescisões colectivas e com os despedimentos em empresas lucrativas.

Ora, mas lendo Pacheco Pereira depressa chegamos à conclusão de que se trata de um homem sem passado, ou pelo menos que não consegue conviver com o seu próprio passado. Faz exercícios de memória ao passado de outras pessoas - mesmo que nunca tenham defendido nenhum exemplo de socialismo real - mas esquece ou sonega o seu próprio passado de apoiante do regime purista de Enver Hoxha! Aliás, a Albânia da época era o farol da Humanidade para muitos dos mais mediáticos neoliberais da actualidade em Portugal. Apenas trocaram de farol, agora é Bush e a sua civilização.

A minha Humanidade não tem faróis nem regimes puristas.

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