terça-feira, setembro 12, 2006

Visões e vontades

Um jornalista da Lusa, logo no início da Marcha pelo Emprego, referiu que a maioria dos 200 marchantes era da classe média urbana, sendo poucos os operários e os desempregados.

Antes de mais admito que não compreendo bem o conceito de classe média urbana, nem como este termo exclui operários e desempregados nesta classe.

De seguida não compreendo como o jornalista conseguiu realizar uma análise sociológica sem necessitar de inquirir os visados. Bastou olhar para todos. Um facto inquestionável, é que ninguém marchou de fato-macaco, e, certamente, que as t-shirts suadas tresandavam a classe média urbana! Há estereótipos para todos os gostos.

As aparências são jornalismo. As impressões - por entre visões e vontades - de um jornalista resultaram na reprodução da sua observação, subjectiva e não fundamentada, na imprensa nacional.

Contudo esta vontade de retratar os marchantes como interpretes afastados dos problemas laborais falha em toda a linha! Basta olhar para a taxa de desemprego e emigração dos licenciados portugueses. Viverá o jornalista enclausurado numa realidade díspar da de Portugal?

A classe média urbana - se é que existe e seja lá o que for - sofre intensamente de problemas de falta de emprego e de precarização como qualquer cidadão do país.

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