domingo, dezembro 31, 2006

Abuso policial ou guardiões dos bons costumes?

Leio incrédulo a discrição de uma rusga a uma casa de alterne, ontem em São João da Madeira.

Quer se queira ou não a prostituição não constitui crime em Portugal. As mulheres (excepto uma) eram portuguesas ou estrangeiras em situação legal, tendo esta situação sido logo confirmada no local.

Sob a nova lei das armas revistaram-nas despindo-as completamente, incluindo as cuecas! Querem-me dizer que qualquer outro cidadão ao ser revistado sob a lei das armas também é despido na integra!?

Dizem que as levaram para a esquadra porque o computador não funcionava ali e foi para ver se tinham algum processo pendente! Mas sob que suspeita o fizeram? Qualquer outro cidadão, sem que lhe recaia alguma suspeita da prática de algum crime, pode ser arbitrariamente levado para a esquadra para averiguar se tem algum processo pendente?

Para mais tudo acontece na semana em que o Governo dá instruções para que as alternadeiras/prostitutas brasileiras em situação ilegal não sejam detidas se preencherem um formulário a explicar como chegaram a Portugal, de forma a combater o tráfico humano.

Todos os acontecimentos relatados na noticia só ocorreram dada a condição social das alternadeiras. Clara discriminação e violação da dignidade humana.

Estive em Edimburgo nos protestos contra a cimeira G-8. A lei que se aplicava a mim e a todos os manifestantes é daquelas maravilhas pós 11 Setembro onde todos são eventuais terroristas e que permite todo o tipo de abusos. Mal sabia eu que em Portugal se cometem mais abusos, acaso sejamos alternadeiras.

Foto de Ana Rodrigues. Centro de Detenção de imigrantes ilegais em Dungavel (no meio de nenhures e de muitos mosquitos, Escócia). Aí podemos ver os perigosos eventuais terroristas palhaços, infelizmente não tenho foto dos meus eventuais terroristas preferidos: um grupo de cinco senhoras nos seus 70 anos.

Nota: discrição não é erro!

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