domingo, fevereiro 11, 2007

A sequela

A Ilusão da Visão feita pelos seus leitores (não fosse o Pacheco ter-se lembrado primeiro e era alta inovação). Como nunca fui para uma mesa de voto deixo aqui o testemunho de uma secretária sobre a sua experiência neste referendo. Também neste blogue escreveu a sua primeira experiência na coisa.

A presença nas mesas desta vez foi feita com menos novidade e acima de tudo muito menos dúvidas, por parte do eleitorado, relacionadas com o ordenamento dos candidatos… calhou-me a última mesa da minha freguesia… com muito pessoal jovem e outro menos jovem a votar pela primeira vez!

Primeira conclusão efectivamente não podemos ficar a espera que os pais ensinem os filhos a votar, por isso se calhar não seria de menosprezar uns programas educativos de 30 segundos, a seguir aos apelos ao recenseamento ou ao voto, em que se explicasse como se vota… se calhar evitávamos que algum jovem perguntasse se era para pôr o nome!? E o menino não pôs o nome seguindo as instruções da mesa, mas estranhamente apareceu um boletim de voto que além da cruz apresentava também a hora da votação…

A segunda conclusão é um bocado mais traiçoeira, se por um lado houve uma grande abstenção já expectável, por outro, houve muita gente de idades mais avançadas, que constatou ser a primeira vez que vinha votar ou que já não o fazia há demasiado tempo… ao ponto de se ter esquecido de como se fazia! Mais gente que poderia beneficiar do tal programazito. Aliás surgiu-me agora assim uma ideia muito boa, e que tal se um episódio da Floribella ou do Morangos com Açúcar se passasse numa mesa de voto? Quer-me parecer que de um modo muito generalizado as pessoas não sabem os direitos e deveres inerentes a uma votação. Pessoas que querem votar e que alegam analfabetismo (possivelmente verdadeiro) mas que não o trazem documentado como exige a lei; pessoas que só à terceira vez percebem o conceito de ter consigo um documento com uma foto que as identifique… e não, um cartão multibanco não serve!

Terceira conclusão, definitivamente não tenho muita paciência para as pessoas, ainda mais quando os temas de conversa são amantes e relações extraconjugais, visões pessoais sobre a homossexualidade, e outras conversas brejeiras… mas será que por estarmos a partilhar uma mesa temos que ser mais do que simpáticos e entretedores (10 horas numa sala podem ser uma grande seca) e temos que ficar a saber tudo uns da vida dos outros?! Sim, como eles bem notaram eu estava calada mas ao contrário do que julgaram não estava a ouvir, estava a fazer aliás o possível para nem ouvir… há coisas que não me interessam mesmo saber, por muito simpáticas que as pessoas sejam! Ou se calhar fiquei só de mau humor por ter que ter esperado 45 minutos mais do que a hora prevista para poder almoçar…

Mas dentro dos cenários possíveis, pode-se dizer que a coisa até não correu mal: elogiaram-me a letra; elogiaram-me a responsabilidade a lidar com as tarefas de secretária; a votação foi expressiva no SIM, mais do que a nível da freguesia e muito mais que a nível do concelho… se calhar por a maioria dos votantes ser de um bairro “semi-social”(?!); a contagem foi rápida e eficiente, muito menos alternativas do que nas autárquicas e as 19h30 já estava no conforto do lar, com o sentido de dever cumprido e pronta para ouvir dizer que apesar de não ter sido vinculativo, a mudança da lei vai mesmo avançar, agora resta esperar para ver quais os termos, espero que inteligentemente ;)

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