quarta-feira, fevereiro 27, 2008

A estação TGV

Hoje no Diário de Aveiro: O presidente da Câmara de Albergaria-a-Velha anunciou que a estação do TGV será construída no seu concelho. Élio Maia, líder do município de Aveiro, garante que a localização ainda não foi decidida. Como olham para este processo e onde acham que deverá ficar situada a estação?

Ao ouvir os senhores do poder fica-se com a sensação que o desenvolvimento do país é feito à la carte, ao sabor de influências nacionais e locais.
A localização das estações do TGV deve obedecer a vários critérios, o primeiros dos quais o serviço à população, mas também a optimização da mobilidade e da rede de alta velocidade como um todo integrado e apresentar baixos impactos ambientais, isto numa lógica de coesão territorial e desenvolvimento sustentado.
A nível da rede, estas duas localizações encontram-se numa escala de proximidade, portanto há que verificar as vantagens e desvantagens de cada para escolher a opção mais sensata e que acarreta mais ganhos para a população.
O município de Aveiro parece-me ser a melhor opção já que apresenta uma estrutura habitacional mais densa e mais numerosa, o que implica a proximidade a um maior número de pessoas e reduz os riscos da especulação imobiliária e de mais construção desmedida.
A referida construção da estação no município de Albergaria-a-Velha, ainda para mais numa zona distante da sede de concelho, seria bastante nefasta em termos de ordenamento do território e protecção ambiental. Esta opção iria retirar preciosos terrenos de valência agrícola, naquela que é hoje uma das maiores reservas do distrito, para a construção da estação e consequente edificação massiva na sua envolvência.
De notar que, entando em curso um processo de decisão pública com implicações a nível de geração de mais-valias urbanísticas, o processo deveria ser extremamente transparente e célere. Os vários corredores alternativos para a instalação da linha e estação deveriam ser tornados públicos, e a transferência da posse desses terrenos ser congelada, de forma a que os proprietários não sejam lesados e impedir a aquisição de riqueza indevida, nomeadamente através do acesso a informação priveligiada.
A aposta nos transportes ferroviários deve ser firme. Contudo, se considero prioritária a ligação do país à rede de alta velocidade europeia, tenho muitas dúvidas sobre a necessidade imediata da construção de uma linha de alta velocidade paralela à linha do Norte. O serviço ferroviário está concentrado no litoral, exactamente onde se pretende agora duplicá-lo. O país não dispõe de uma verdadeira rede ferroviária: é impraticável a deslocação entre a maior parte dos distritos e mesmo as ligações de proximidade, não servem o seu propósito. A título de exemplo, Guarda e Covilhã distam 43 Km por estrada, mas só existem três comboios por dia e que demoram 1h15 a completar a viagem.
Temo que se esteja a construir a casa pelo telhado e a caminhar irreversivelmente para a desertificação do interior do país.

2 Comments:

Blogger Guimaraes said...

Para mim, adepto fervoroso do transporte ferroviário, a ideia do TGV vale mais pela utilização da bitola europeia, indispensável para que o transporte ferroviário de mercadorias seja viável, que pela velocidade.
Neste contexto, interessa mais uma ligação do porto de Aveiro a essa via, que a localização da estação de passageiros, que pode nem existir no distrito. O TGV não se destina a ser um segundo Alfa. Para isso, já temos....

quinta-feira, fevereiro 28, 2008 10:41:00 da tarde  
Blogger Nelson Peralta said...

Concordo, e considero que é importante estabelecer bem as prioridades.

No meu entender, a prioridade é a ligação à rede de altavelocidade europeia - nomeadamente Aveiro-Salamanca. E construir uma verdadeira rede ferroviária nacional não (Tipo Alfa).

sexta-feira, fevereiro 29, 2008 12:09:00 da manhã  

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