quarta-feira, setembro 10, 2008

O que Angola nos diz sobre a nossa democracia?


Como se pode ver nos posts anteriores, os políticos do clube do poder são unânimes na avaliação das eleições Angolanas. Já antes das eleições o Governo, mormente José Sócrates e Manuel Pinho, tinham tecido rasgados elogios ao regime angolano.

Ora a primeira coisa que isto nos demonstra é muito simples, Portugal apenas tem uma diplomacia de negócios. Angola, e em particular a família dos Santos com a sua enorme teia de negócios, tem um enorme contribuição para o PIB português, e como tal, os direitos humanos e as liberdades são secundárias. Angola não é excepção, é a regra!

A segunda ilação que se poderá tirar é que não interessa que quem faça parte da oposição corra risco de morte, não interessa que haja uma liberdade de expressão condicionada, não interessa que a parcialidade dos órgãos de comunicação envergonhe Itália, não interessa que a ameaça de guerra esteja sempre latente, não interessa que a família dos Santos se tenha apropriado de uma enorme riqueza de forma no mínimo questionável, não interessa que «o apuramento computorizado dos resultados a nível central não está aberto à monitorização dos observadores ou delegados das listas», nada disso interessa. Desde que sejam parceiros de negócios e consigam montar uma farsa com urnas de voto, aí está a gloriosa democracia.

Será esta a democracia com que o clube do poder sonha: de 4 em 4 anos lá nos deixam ir, desde que no hiato ninguém chateie.

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