quinta-feira, novembro 30, 2006

Kramer e Cid

No dia 11 deste mês quando me inscrevi no Techonarati reparei que a expressão mais pesquisada no seu motor de buscar era "Michael Richards". Hoje o caso invade em muito a blogosfera portuguesa, também fui atrás. Tata-se do actor que dava vida a Kramer, a minha personagem preferida da série Seinfeld. Todos procuravam o vídeo onde Richards, num espectáculo de stand-up comedy, se passa intempestivamente com um espectador (negro) que o incomoda durante o a actuação. Richards passa bastante tempo a insulta-lo, recorrendo essencialmente a insultos de cariz racista. A audiência indigna-se e vai abandonando a sala.

Seinfeld tinha uma ida agendada ao David Letterman Show e solicitou que Richards entrasse em directo para ter uma oportunidade de se desculpar. Assim foi (vídeo). O incrível é que no início a audiência presente não abandona o riso. Richards a tentar falar a sério e esbarra nos risos de quem quer mais entretenimento. Seinlfeld e depois Richards pedem para que acabem com os risos dado que o caso é sério.

Há uns tempos foi a presença de José Cid no A Revolta dos Pastéis de Nata (vídeo). Continuo sem ter visto a cena contextualizada no resto do programa, mas enquanto Miguel Vale de Almeida discutia o assunto (homossexualidade) seriamente, José Cid arma-se em palhaço. Vejam o deleite do público.

Tanto a Revolta como o David Letterman são programas de entretenimento. É esse o modelo do programa e visivelmente é isso que o público quer. José Cid - muito criticado na altura - e o público de Letterman reagiram exactamente de acordo com os moldes do programa, é aliás isso que lhes dá audiência. Se José Cid pode ser criticado pela sua homofobia, não me parece que tenha estado deslocado do espírito do programa, agiu de acordo com a classe do programa - quer eu goste ou não. A palhaçada e o desrespeito pelos convidados faz mais parte daqueles programas. Podemos critica-lo, mas não dizer que estão desfasados com o programa.

4 Comments:

Blogger MRF said...

Eu acho que não. Mesmo que até me interesse mais o humor que aborda questões "tabu" (versus o humor popularucho cujo único conceito de transgressão é dizer meia dúzia de palavrões). Para fazer humor com matérias sensíveis e justificar um bom riso, é preciso inteligência, ainda mais inteligência. e pelo que vi nos dois vídeos, o que reina é a imbecilidade.

O público pode ser "aquilo", e "aquilo" é um retrato da cidadania média. mas seja qual for a emissão e o target dessa emissão, há um limite. Todos os limites de respeito pelo próximo foram violados. O José Cid merecia um forte repúdio. O "Kramer" merece tratamento hospitalar (não sei se estava alcoolizado, parece, mas chegou a um estado de descontrole que abona a favor da solução clínica).

O entrevistador dos Pasteis de Nata, porque se trata de um programa de diversão, devia ter usado o humor, o seu sentido de improviso, qualidades que lhe garantiram o lugar, para calar o Cid. Assim eu passaria a respeitá-lo.

Não acho que devamos ser tolerantes com pessoas que não o são. nem desculpar idiotices. até porque, se não se diz ao idiota que ele é idiota, ele não muda.

quinta-feira, novembro 30, 2006 5:52:00 da tarde  
Blogger Nelson Peralta said...

Eu também não gosto nem quero ver. Mas a traçar os limites, quem seria o guarda? E quem controlaria o guarda!? Prefiro viver no meio desta imbecilidade do que na existência de limites traçados sabe-se lá por quem, até porque eu é que acabo por estar a mais no programa. Mas eu, e todos nós, temos o poder supremo, o controlo remoto! Basta desligar ou mudar! Prefiro manter o direito à indignação e desligar, do que alguém decida o que os outros podem ver. A única coisa que posso esperar é atitudes semelhantes do público, e até que se expresse a indignação ao Provedor da RTP, para não termos que levar com aquilo outra vez.

A maior parte das vezes quem segue o caminho da imbecilidade é o próprio apresentador, desrespeitando todos os seus convidados e tentando o humor fácil.

Mas existindo lmites as tentações para o guarda seriam demasiadas! Por exemplo, será que a última ceia do Herman, tão criticada pela Igreja, teria sido exibida!?

E sim, o Kramer alega embriaguez. Nos dois casos não fiz juízos de valor já que deixei os vídeos e cada um pode fazer os seus.

Bem, ao optar por não se traçarem limites acabo por sofrer as consequências, e raramente vejo televisão.

sexta-feira, dezembro 01, 2006 1:06:00 da tarde  
Blogger MRF said...

Nelson, nunca me passou pela cabeça que os "limites" fossem "instituidos". O limite é o do bom senso e o da competência profissional. Como espectadores podemos exigi-lo. Mas não acho que baste recuarmos, desligarmos o botão sentindo-nos "desfasados do programa". Ao criticares os programas, já assumiste uma intervenção "contra". O que achei é que começaste bem e acabaste "ambíguo". Possivelmente interpretei mal a tua última frase. A verdade é que, mea culpa, nem sabia destes casos. Há muito tempo que não consigo ver tv.

beijinhos

sexta-feira, dezembro 01, 2006 4:57:00 da tarde  
Blogger Nelson Peralta said...

Já há uma semana discuti noutros espaços o caso do José Cid. Também aí senti que não me consegui explicar bem! A minha opinião acaba por não ser tão discordante com a tua (e as outras na altura).

A principal diferença é que eu não responsabilizo apenas o José Cid a nível individual. O Cid acabou por corresponder ao que num programa daqueles é esperado, a manifestação do público e do apresentador demonstrou-o. Isso não quer dizer que o Cid esteja isento de ter tido um péssimo comportamento.

Talvez agora como na altura eu tenha uma postura muito defensiva já que - como se pode ver noutros textos no blog (em especial este)- nutro uma especial admiração pelo José Cid, e de estar consciente da forma como ele se adaptou à economia de mercado utilizando todos os seus subterfúgios para vender mais! Foi o que fez n'A Revolta.

sexta-feira, dezembro 01, 2006 6:29:00 da tarde  

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