sexta-feira, novembro 02, 2007

Ferrovia de ligação ao porto de Aveiro

Na edição desta semana d'O Aveiro, a minha resposta à questão: É inevitável que a ferrovia para o porto de Aveiro estrague a paisagem na ria?


Em política não há inevitáveis. A política apoia a sua decisão nas possibilidades técnicas, podendo mesmo ser limitada por ela. Porém, cabe à política, enquanto expressão da vontade popular, tomar as decisões para o bem colectivo. Posto isto, a ferrovia deve ser aquilo que os cidadãos entendam – seja por decisão dos órgãos eleitos ou por expressão popular directa – e nunca aquilo que tecnicamente dá jeito a uma qualquer empresa.
A Mesa da Assembleia Municipal ficou mandatada para agendar uma reunião da Assembleia com a administração da REFER de forma a encontrar uma alternativa. Continuamos à espera dessa reunião que parece ter caído no esquecimento com a capitulação à solução do viaduto elevado, com enorme impacto paisagístico e ambiental.
O Bloco Esquerda rejeita a construção do viaduto e já propôs uma solução alternativa: a construção da ferrovia no espaço central da A25, entre as faixas de rodagem. A construção da ferrovia numa estrutura já edificada é a solução que apresenta menores impactos.
O troço da A25 que liga a zona do estádio às praias não desempenha funções de trânsito rápido entre dois pontos distantes, não dispõe de vias de aceleração/desaceleração, apresenta vários entroncamentos e tem características de via panorâmica. Sendo assim, esta estrutura de auto-estrada não é a mais eficiente para a mobilidade.
Desta forma defendemos que este troço da A25 abandone a estrutura de auto-estrada, podendo assim apresentar vias mais estreitas libertando espaço para a instalação da ferrovia de mercadorias. Pretendemos também incluir mobilidade pedestre e ciclável, próprias de uma via panorâmica e defendemos que a médio-prazo esta linha seja utilizada para a implementação do metro de superfície.
A solução por nós apresentada diminui a intensidade do transporte rodoviário individual e de mercadorias, liberta a zona das praias da pressão automobilística e de falta de estacionamento, torna a mobilidade inclusiva para todos os cidadãos e aumenta a qualidade de vida e urbanística.

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