quarta-feira, março 12, 2008

Zonas industriais

Hoje no Diário de Aveiro: Qual deve ser a estratégia adoptada para a criação de novas zonas industriais e para a captação de investimento para Aveiro?

As zonas industriais devem ser espaços que sirvam os interesses dos trabalhadores, da indústria, do ambiente e, em suma, de toda a população. Assim devem ser espaços humanizados, enquadradas num correcto ordenamento do território e aprazíveis.

As deficiências das actuais zonas industriais devem ser corrigidas e não repetidas, e a aposta em parques empresariais não deverá ser excluída. Estas zonas devem apresentar uma malha urbanística regular, ordenada, bem sinalizada e iluminada, assim como serem servidas por uma boa rede de transportes públicos.

As zonas industriais devem ser dotadas de equipamentos sociais colectivos, tais como cantinas nas empresas, e infantários ligeiramente deslocados e com sistema de transporte para as crianças. Dependendo do tipo de industria devem ser instaladas meios de mitigação dos seus efeitos nefastos, nomeadamente áreas arborizadas. As zonas industriais devem ainda estar localizadas fora das povoações para evitar transtornos de proximidade: ambientais, de ruído e de movimento de viaturas pesadas.

Neste momento, os combustíveis fósseis tem mostrado a sua insustentabilidade económica e ambiental. As empresas terão que comprar licenças no "mercado de carbono" para a emissão de gases de estufa, que representará uma significativa fatia do seu orçamento, para além dos danos ambientais que daí advém. Assim, a aposta na ligação à rede ferroviária nacional e internacional fará a diferença, libertando-as e a nós do jugo do carbono. A ligação ferroviária constitui uma vantagem competitiva para as empresas, quer na recepção de matéria-prima quer na expedição de mercadoria. Neste campo, Aveiro apresenta uma grande atractividade já que se encontra junto à linha do norte, a curto-prazo terá ligação ferroviária ao porto marítimo e, esperamos que a médio-prazo, uma ligação à Europa (via Salamanca).

Aveiro reúne já excelentes condições para a fixação de investimento, nomeadamente a nível de acessibilidades (ferrovia, A1, A25, A17, A29) e de proximidade ao porto marítimo. A Universidade de Aveiro constitui um importante pólo de atracção de investimento para a região, ao permitir a formação de mão-de-obra qualificada e ao desenvolver tecnologia industrial. Nesta óptica, a criação de parques empresariais temáticos ao invés de zonas industriais tradicionais poderá ser uma boa solução para acolher industria mais qualificadas.

Contudo, é fundamental definir o tipo de investimento que desejamos atrair para Aveiro e para o país. Recusamos que se continue a apoiar empresas que, em busca de mão-de-obra barata, se instalem à custa de subsídios dourados e mal esgotam esse filão se deslocam para outros paraísos de salários baixos deixando para trás um enorme problema social. Esta opção é uma questão essencial, e a diferença entre captar e fixar investimento e entre permitir ou não uma desmesurada exploração laboral subsidiada por todos nós.

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