sexta-feira, maio 15, 2009

O que dá juntar Tony Braxton e Fukuyama na mesma sala?


Un-Break My Heart - Tony Braxton

Slogan da candidatura autárquica do PS: Adoro Aveiro.
Intervenção de Júlio Pedrosa, mandatário da candidatura do PS à CMA: «Reunimo-nos aqui hoje porque gostamos muito de Aveiro. [...] O Dr. José Costa é um economista que tem uma história de vida em que revelou especiais qualidades de gestor».

Final do discurso do Presidente da Câmara, Élio Maia (PSD/CDS-PP), no dia do município: «O meu coração está com Aveiro e com os aveirenses. Defendo que o coração de um político não tem que estar na cabeça, mas deve estar na sua terra e no seu povo. Por isso, ele está aqui, com a felicidade de palpitar junto a todos vós.»

Associa-se mais facilmente o populismo a personagens estridentes como Hugo Chavéz ou Alberto João Jardim. Contudo, a forma de populismo em crescendo na Europa é de um cariz diferente, mais formal e polido. Idiossincrasias pessoais de Berlusconi e Sarkozy à parte (que são muitas e que nada tem a ver com o presente debate), ambos são os políticos de maior sucesso e refinação nesta nova forma de comunicação política que se baseia numa única ideia chave: não há opções políticas diferentes, quem concorre ao poder é para executar as mesmas opções políticas, pelo que a única diferença é a competência do candidato em as passar à prática.

Esta forma de comunicação política tem ganho terreno sobretudo com a universalização das verdades de Fukuyama e com a capitulação dos partidos tradicionalmente social-democratas ao sistema vigente. Mais do que escolher o modo como nos organizamos em sociedade, as eleições são retratadas como a escolha dos melhores gestores para gerir o sistema vigente. Mas esta decretada não-escolha é uma escolha efectiva pelas políticas do sistema dominante.

Assim, não é de admirar que as eleições se disputem cada vez mais no campo da comunicação e menos no campo da discussão da organização social, presente e futura, defendida por cada candidatura. Passamos ao paradigma da política do "é preciso é que isto ande para a frente", como se só existisse um único caminho, uma única opção. Uma das consequências é a crescente supremacia das empresas de comunicação na definição das linhas de acção dos partidos. Se com Menezes a coisa se tornou evidente, a prática já vinha de trás e é para continuar: José Sócrates contrata equipa de Obama para as legislativas.

O que digo nestes três parágrafos não é nada de novo, nada que já não tenha sido escrito e reescrito por inúmeras pessoas. Nem sequer cada caso particular é relevante, espantoso é apenas como a tese é validada pela realidade.

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2 Comments:

Blogger Teresa Queiroz said...

eu já passei várias vezes por aveiro ...e acho que só parei uma vez ...há muitos anos

depois de tanto ler e ouvir ultimamente ...acho que aveiro é que está a dar


talvez tenha sido o Caetao Veloso o grande embaixador ... hehhe
isto há com cada coisa

mas prometo lá ir
e aceito sugestões..... em Aveiro

um bom fim de semana :)

sexta-feira, maio 15, 2009 5:12:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

domingo, maio 17, 2009 6:33:00 da tarde  

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