terça-feira, dezembro 13, 2011

Nissan/Renault Aveiro: a fábrica que já era antes de o ser

Nunca tinha visto um Primeiro-Ministro ao comando de um caterpillar. Sócrates não quis passar ao lado de uma excelente imagem televisiva e, com pompa, circunstância e retroescavadora, anunciou uma nova fábrica Nissan-Renault em Aveiro. Entretanto foram-se anunciando ou deixando em aberto apoios e isenções várias e à escolha, entre autárquicas, nacionais e europeias.

Ontem, a Câmara Municipal de Aveiro lançou um comunicado sobre o orçamento para 2012 onde enaltecia as políticas do executivo PSD/CDS como aquelas que colocavam "Aveiro como uma cidade do futuro" capaz de "atrair projectos industriais de grande envergadura tecnológica".

Passadas algumas horas e sem qualquer aviso à Câmara, a Nissan anunciava a suspensão do investimento e a deslocalização da produção para França, Reino Unido, Estados Unidos e Japão. Há várias ilações a tirar desta história.

É o figurante
A primeira é que Élio Maia foi apenas um figurante na narrativa. Excessiva e ostensivamente tentou colar-se ao projecto, como um dos responsáveis da sua vinda para Aveiro. Assim, se tanto queria aparecer na fotografia como o grande obreiro da vinda, seria de todo legitimo considera-lo o grande responsável pelo cancelamento do investimento. Mas não é preciso exagerar, notoriamente só foi tido na história para proceder aos clássicos benefícios ficais e taxas urbanísticas mais baratas. O resto foi fogo de artifício.

Fica ainda por se conhecer todos os apoios europeus, nacionais e locais de que as empresas beneficiaram. Todas devem obviamente ser devolvidas. Da parte da Câmara Municipal de Aveiro já se percebe que tal não será solicitado. Fica ainda por esclarecer o uso das infraestruturas construídas com benefícios públicos.

Outra evidência é que a deslocalização da produção se dá para países com custos de mão de obra bastante superiores aos de Portugal, o que diz muito sobre as políticas de "competitividade" abraçadas pela troika estrangeira e portuguesa...

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2 Comments:

Blogger AVELINO VIEIRA said...

Não se me parece haver razões para tanta especulação em relação aos ditos nbenefícios fiscais e taxas camarárias. Se a fábrica não entrou em funcionamento tais "benesses" não foram dadas. Quanto às infraestruturas: nada de novo.Já estavam todas feitas, antes mesmo do anúncio do projecto da nova fábrica.
AV

quarta-feira, dezembro 14, 2011 11:09:00 da manhã  
Blogger Nelson Peralta said...

Já é público hoje que a empresa pagou 132 mil euros em taxas urbanísticas e que, depois disso, a autarquia isentou em 96% esse pagamento. A CMA decidiu assim devolver 127 mil euros que já tinha recebido.

Ao que parece a CMA tinha dado a informação contrária:

http://www.abola.pt/mundos/ver.aspx?id=304038

quarta-feira, dezembro 14, 2011 11:40:00 da manhã  

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