quarta-feira, outubro 24, 2007

Metade

Hoje no Diário de Aveiro, a minha resposta à questão: A actual maioria PSD/CDS na Câmara de Aveiro cumpre esta semana os dois primeiros anos do seu mandato. Que avaliação faz do trabalho do executivo liderado por Élio Maia?

----A primeira metade do mandato de Élio Maia ficou marcada por uma manifesta falta de ideias e de estratégia para Aveiro, traduzidas numa enorme inacção. Foram dois anos em que Aveiro e os Aveirenses foram deixados à espera. Não só nada se fez nem planeou, como o que existe foi sendo esquecido e degradado pelo tempo.

----Durante estes dois anos o debate político tem sido sucessivamente esterilizado, uma vez que a maior parte das decisões são tomadas sobre factos consumados.

----A promessa eleitoral de reestruturação e enventuais extinções de empresas municipais continua pendente, após a nomeação dos seus administradores por Élio Maia.

----Contudo, parece que chegamos a um ponto de viragem na governação de Élio Maia. A coligação PSD-CDS/PP prepara-se para entrar na fase da liquidação total. Os Serviços Municipalizados (água, saneamento, resíduos urbanos) caminham para a privatização e já tem o preço definido: 50 milhões de euros. Falta saber onde é a fábrica da água! O Parque Desportivo de Aveiro, importante para definirmos aquela nova centralidade da cidade, já tem plano de privatização faseada e acelerada. A MoveAveiro precisa de esperar pouco para que um qualquer estudo aponte qual o caminho da privatização.

----Ao Beira-Mar, para pagar a dívida, a autarquia dará – entre outros – o terreno das piscinas sem qualquer garantia que as mesmas se mantenham e que o terreno não seja usado para especulação imobiliária. Neste caso a classificação em PDM mantém-se como zona de equipamento, o que permite um vasto leque de possibilidades inclusivé a demolição das piscinas para a construção de um qualquer empreendimento de “equipamento”. Ora, se o uso do solo não é definido como se pode definir o seu valor para se pagar uma dívida?

----Agora surge o anúncio de intenções de uma parceria-público que construa e explore quatro novos parques de estacionamento no centro da cidade, usando os lucros para a renovação do parque escolar, que depois a autarquia arrendará. Élio Maia parece pronto a implementar o capitalismo rentista em Aveiro, a remoção do risco do capitalismo através de uma renda paga por todos os Aveirenses.

----Na minha visão, estes serviços e empresas municipais são essenciais para a implementação das políticas e ideias para o município. Porventura não farão falta a quem não tenha ideias para Aveiro, ou a quem considere que não cabe aos representantes democraticamente eleitos e à população a gestão do bem colectivo e que essa é tarefa da economia.

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