quarta-feira, dezembro 05, 2007

Direcções regionais e a manta de retalhos

Hoje no Diário de Aveiro: O Governo anunciou a instalação das direcções regionais da Economia e do Desporto em Aveiro. Qual a importância dessa medida e o que pode representar quanto ao peso do distrito no panorama regional e nacional?


Considero que a política para o país, e neste caso concreto a distribuição geográfica de direcções regionais, deve ser feita de acordo com critérios de coesão territorial e maximização de recursos e benefícios. Discordo da visão provinciana da organização do país ser feita com base na influência de cada distrito no poder.
Defendo que a organização implementada no país sirva bem toda a população e de forma equitativa. Preocupa-me mais se estas direcções regionais irão servir adequadamente as gentes da região – sejam de Aveiro ou do restante território abrangido – do que se servirá para projectar o nome de Aveiro na região e no país. Porém, o Governo do Partido Socialista prefere as relações centralizadas do que as relações de proximidade.
O distrito de Aveiro deverá ter peso a nível nacional pela qualidade de vida que oferece. E neste campo há bastantes problemas a serem debelados a começar pelo desemprego, onde o distrito invariavelmente apresenta uma taxa superior à já alta média nacional.
Aveiro é também um distrito onde subsiste a disciminação salarial, onde as mulheres ganham menos que os homens por trabalho igual, como os casos que o Bloco de Esquerda recentemente denunciou no sector corticeiro.
Um distrito com peso a nível nacional será uma região cosmopolita, que seja um centro influente nas migrações e imigrações. E neste campo também Aveiro mostra várias deficiências como os dados do Centro Local de Apoio à Integração do Imigrante demonstram. Em Aveiro a discriminação e a falta de integração subsiste na saúde, na educação, no reagrupamento familiar e acima de tudo nos contratos de trabalho e nas relações laborais.
Aveiro é ainda o distrito onde o ataque ao Serviço Nacional de Saúde mais se faz sentir com o fecho de várias urgências hospitalares, maternidades e de serviços de atendimento permanente. E esta não é certamente uma questão menor no peso do distrito, mas mais importante que isso, nas condições de vida da população.
Sejamos bem claros, vejamos a questão do peso político na mudança de local da Direcção Regional da Economia: o PS de Coimbra ficou chateado, o PS de Aveiro elogia-se por ter dado peso ao distrito. E assim se constrói o país como manta de retalhos. Mas Coimbra e a sua população deve mais a esta direcção regional ou ao seu hospital e à associação deste à universidade local? Destrói-se o Serviço Nacional de Saúde mas é suposto ficarmos contentes pelo facto do Governo instalar em Aveiro uma sua sede burocrata. Não alinho neste jogo.

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