quinta-feira, janeiro 24, 2008

Globalização para totós 2.0


Designa-se antiglobalização aquele que luta por uma globalização alternativa à existente.

O capitalismo apropriou-se da própria linguagem e designa como opositores do fenónemo - antiglobalistas - aqueles que, com uma enorme carga histórica, defendem a globalização social. Ao mesmo tempo a linguagem do sistema não tem qualquer pejo em nos apresentar os nacionalistas, proteccionistas, anti-migrações e promotores de guerras entre Estados como os defensores da globalização.

Historicamente a esquerda, concretamente a não alinhada com a experiência soviética, sempre se bateu pela globalização, ou usando outro vocábulo pelo internacionalismo. Como Marx escreveu, «os operários não tem pátria». Marx, Trotsky e mesmo Lenine sempre teorizaram que o socialismo é impossível num só país e que o seu sucesso só seria possível com outras revoluções proletárias a nível global.

De facto, um operário português e um operário sul coreano tem mais em comum entre si ou com as elites do seu respectivo país? Então de que lhes serve a globalização assente na guerra permanente e na substituição da democracia pelo Mercado? E porque raio é que na linguagem do regime eu sou anti-globalização?

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7 Comments:

Blogger filipe guerra said...

Nélson,
A expressão internacionalismo, não é uma palavra distante da experiência socialista a Leste. Pelo contrário, basta conhecer o papel de Marx e Engels no aparecimento das primeiras "internacionais", ou ler livros de Lenine como "Esquerdismo, doença infantil do comunismo" ou "Imperialismo fase superior do capitalismo" para se perceber que a concepção internacionalista está presente na teoria e práticas que construiram Outubro. E também na pratica da décadas de internacionalismo, que também passou por Portugal.
De resto, não compreendo essa fobia em relação à URSS e às virtudes que esta teve, nomeadamente no campo internacionalista. Se quisesse, podia ficar aqui horas e horas, linhas atrás de linhas, a enumerar exemplos do internacionalismo de países como URSS, RDA, Cuba ou o Vietname.
Espero que não haja mitos dificeis de ultrapassar.

quinta-feira, janeiro 24, 2008 7:05:00 da tarde  
Blogger Nelson Peralta said...

Filipe,

Como disse reconheço o papel de Marx (e tb Engels), e de Lenine na questão do Internacionalismo.

Porém, a URSS não foi isto. Quando aqui falei da experiência soviética estava-me a referir em concreto ao período de Estaline, e ao que se seguiu, que defendia o socialismo num único país. Aliás a URSS acabou por se tornar um poder imperial.

Contudo, a minha "fobia" à URSS tem muito mais a ver com a constituição de uma nova classe, a nomenclatura; pela falta de liberdades individuais, de pensamento, de informação e de expressão; e por se ter tornado numa ditadura de facto...

sexta-feira, janeiro 25, 2008 10:54:00 da manhã  
Blogger filipe guerra said...

Acho redutor reduzir a URSS e toda a experiência socialista e Leste aos anos de Estaline.
Não acho que a URSS tenha constituido um poder imperial, pelo contrário combateu-o, não só destruiu o nazi-fascismo, como teve um papel preponderante, por exemplo, nos processos de descolonização em África ou extremo-Oriente. A URSS e o bloco socialista, foram de facto combatentes do impeialismo e não partes integrantes ou constitutivas de um modelo de imperialista, note-se que o período actual é esse sim um período de imperialismo capitalista sem qualquer contra-ponto e bem mais perigoso.
A URSS e a experiência socialista cometeram erros (há quem diga que um desses erros foi ter apoiado excessivamente outros), óbvio, mas reduzir toda a experiência aos seus erros, é em si um erro.
A expressão ditadura para caracterizar a URSS é manifestamente injusta e exagerada.

sexta-feira, janeiro 25, 2008 1:08:00 da tarde  
Blogger Nelson Peralta said...

Reconheço o importante papel histórico da URSS enquanto contra-ponto (usando a tua palavra) ao imperialismo capitalismo. Aliás, as grandes "conquistas" da social-democracia apenas se deram face ao medo do papão russo. O capital só recuou e condeceu algumas migalhas (horário de trabalho, salário mínimo, férias pagas, etc) mediante a ameaça de verem o seu próprio país "vermelho".

Agora, sem "contra-ponto", é vê-los a reinar e a ver direitos alcançados à custa de tanto sangue a serem eliminados sem qualquer esforço. Quanto ao modelo actual estamos conversados.

Porém, a violência fez parte da URSS e não podem ser simplesmente expurgada. É evidente que há muita URSS para lá destes "erros", mas estes erros também são a URSS. E se acima realcei a importância histórica da URSS, também tenho que apontar o contributo histórico nefasto da mesma.

A violência foi de tal ordem que agora qualquer experiência socialista tem que viver com esse passado, mesmo que o rejeite, mesmo que a sua experiência seja outra.

sexta-feira, janeiro 25, 2008 3:59:00 da tarde  
Blogger filipe guerra said...

É interessante o último parágrafo da tua resposta, sobre a violência. Porque tem em si um pouco de verdade.
Como dizia Lenine, "a revolução não é uma linha recta". Por vezes é preciso dar um passo atrás para dar dois em frente, afinal de contas, as guerras não são todas iguais.
Existirá algum processo revolucionário que não tenha violência? Creio que não, ou se há certamente terá roubado o adjectivo revolucionário.

A experiência histórica comunista é feita de avanços e recuos, vitórias e derrotas, virtudes e defeitos. Tal como os Homens.
Se comemoramos as vitórias, devemos lembrar as derrotas e os erros. Não renegar o passado ou omiti-lo, quanto mais não fosse por respeito própro, honestidade e para não voltar a repetir erros.

É por observar a globalidade que a burguesia ainda hoje se repete em insultos e calúnias, é porque temeu a experiência soviética e porque sabe que o seu projecto ainda existe e está aí ao virar da esquina.

Assim, ainda que se condene alguns excessos, o mais importante é ter uma visão panorâmica sobre a URSS.

P.S.- admito que quem tenha optado por "começar de novo", se sinta pouco afectado com estas linhas.

sábado, janeiro 26, 2008 12:41:00 da tarde  
Blogger Nelson Peralta said...

Em relação à necessidade de violência para a transformação da sociedade, respondo com uma frase feita: não sacrifico a liberdade de outras pessoas pelos meus ideais.

E a violência não foi um episódio durante os primeiros anos da revolução. Foi parte essencial do seu funcionamento. Prenderam-se, deportaram-se e mataram-se os opositores, sejam eles "contra-revolucionários" ou elementos de esquerda com ideias diferentes ou apenas em lutas de poder. Isto parece-me muito pouco revolucionário.

sábado, janeiro 26, 2008 2:26:00 da tarde  
Blogger filipe guerra said...

Nélson,
Sobre este tema respondo com um post no QDM.

domingo, janeiro 27, 2008 12:38:00 da tarde  

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