quarta-feira, março 19, 2008

Balanço da governação de José Sócrates

Hoje no Diário de Aveiro: Que balanço fazem dos três anos de governação de José Sócrates, especialmente no que diz respeito ao distrito de Aveiro?

Na campanha eleitoral de 2005, José Sócrates afirmava que 7,1% de desemprego era «a marca de uma governação falhada» e de uma «economia mal conduzida». Com a sua governação, a taxa no final de 2007 era de 7,9%. Portugal é assim o sétimo país da União Europeia com uma maior taxa de desempregados. A governação de José Sócrates é pois uma governação falhada.
A política de emprego de Sócrates falhou em toda a linha. Da promessa de 150 mil postos de trabalho, passamos à dura realidade de uma taxa de desemprego pela primeira vez, em 30 anos, superior à de Espanha. Para mais, a estrutura laboral do país está em rápida transformação, com o acentuar da precaridade e o advento das empresas de trabalho temporário. Aveiro, um distrito industrial e com bastantes jovens a serem formados na Universidade, tem sido claramente afectado.
No seu mundo de figurantes pagos para adornar apresentações sem mácula, só há sorrisos largos. Contudo, no país real há 2 milhões de pessoas abaixo do limiar da pobreza, e seriam 4 milhões se não existissem prestações sociais. A este nível, o Governo não apresenta soluções e as desigualdades agravam-se.
A postura do Governo é demasiado autista. A política de saúde já demonstrou ser negativa para a população e merecer a sua rejeição. Porém, o Governo insiste no encerramento e desmantelamento do serviço nacional de saúde. O distrito de Aveiro tem sido dos mais afectados, com o encerramento de várias urgências, serviços de atendimento permanente e maternidades. Os serviços foram concentrados no Hospitais de Aveiro e de Santa Maria da Feira, que já demonstraram por diversas vezes não ter capacidade de resposta ao afluxo acrescido, com trágicos resultados conhecidos.
O desmantelamento dos serviços públicos continua com a política de educação e o confronto com os professores, que em Aveiro fizeram uma manifestação reunindo três mil cidadãos.
O governo de Sócrates tem optado pela crescente privatização dos bens públicos. Sem sair do distrito podemos questionar se este é o caminho que mais beneficia a sociedade, os cidadãos e o país. O novo milionário mais rico dos mais ricos em Portugal, comprou 13% da GALP. Num ano, o valor dessas acções duplicou e constituem agora mais de metade da sua fortuna pessoal, catapultando-o para a lista Forbes. Obviamente é um processo legal e legítimo, mas do nosso ponto de vista a privatização da empresa de energia é uma estratégia errada. A riqueza que era de todos passou a ser privada, sem que nada tenha sido produzido ou gerado para a sociedade; e os cidadãos e o Estado perdem capacidade de influência na política energética e de preços do país.
É claro que as contas no xadrez do poder são outras, e se canta vitória por trazer uma qualquer Direcção-Regional, como a da Economia, para o distrito, que não afecta em nada a vida dos aveirenses, ao contrário das políticas de saúde e de educação que nos afecta a todos.

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