terça-feira, janeiro 29, 2008

A violência não é romântica

Massacre de Tiananmen, 1989
The Unknown Rebel, um cidadão chinês opõe-se a tanques do regime (foto Jeff Widener)

Numa troca de ideias sobre globalização/internacionalismo começada aqui, neste texto e na caixa de comentários, acabou-se a discutir a questão da violência na URSS e no processo de transformação da sociedade.

Primavera de Praga, 1968
Cidadãos da Checoslováquia opõem-se aos tanques soviéticos

A discussão prolongou-se ainda no Quotidiano da Miséria, onde o Filipe Guerra adornou a sua argumentação com umas fotos a preto e branco de revolucionários de arma em punho. Acontece que a violência não foi um episódio circunstancial, nem tão pouco [apenas] um instrumento para preservar a revolução contra o poder do capital. A violência foi o sistema, o sistema foi a violência. O propósito máximo da violência foi a manutenção do sistema, o seu desígnio a sobrevivência da nomenclatura.

Trabalhos forçados num Gulag

Cidadã ucraniana deslocada

A violência nada teve de heróico e estóico, apenas de cobardia. Tal como no capitalismo, o Estado arroga para si o monopólio da violência e exerce-a de forma visceral. Exerce-a contra o capital, contra vozes divergentes no movimento revolucionário, contra jornalistas e quem ousa ter opinião divergente, e pura e simplesmente contra a população.

Trotsky às portas da morte, 1940

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3 Comments:

Blogger filipe guerra said...

Avioência não é nada romântica...

Caro Nélson, respeitosamente como sempre foi e nem poderia ser de outra forma:
Lamento que o texto "a violência não é romântica" careça de oportunidade. Primeiro porque perde toda a perspectiva panorâmica e de alguma profundidade sobre o tema da violência, recentrando o debate em Estaline e nos velhos e estafados chavões e acusações anticomunistas e sobre a URSS(este texto usa argumentos e imagens que não lembrariam ao CDS).


Apenas deixo três ou quatro notas,
1 - Quem apoiou o regime maoista\chinês sempre foi gente da área política do BE, malta da UDP ou como o Fernando Rosas. Desconhecer as profundas divergências doutrinais ideológicas, teóricas e práticas, entre o bloco soviético e o regime de Mao, ao caso, parece-me desagradável e injusto para mim que levei com elas e não tenho nada haver. Eu nunca referi China nenhuma no meu post, apenas exemplifiquei situações em que as armas foram determinantes, mas adiante...

2 - Poderiamos combinar um dia e ir a uma qualquer livraria(tipo Bertrand ou Fnac..) dar uma vista de olhos nos milhões de mortes, na fome, canibalismo, pedofilia, peste e miséria, que Estaline e a URSS são acusados nos diversos livros (todos os anos sai mais um monte deles) que há sobre o tema, as divergências entre autores são de tal ordem (alguns falam em metade da população russa) que é ridiculo o carácter cientifico que se tenta atribuir e esses dados. É giro perceber e ler as confusões e contradições entre autores tão promovidos e distribuidos pelo capital.
Mas como jé atrás referi, até admito excessos e desvios nessa altura, o chamado "período Beria".

3 - Gostei da foto de Trotsky..., afinal, se alguém percebeu de violência foi ele. Presumo que saibas o cargo que ele ocupou no sistema soviético?...Léon trotsky foi comissário de guerra do CC. Para trotsky, o feitiço virou-se contra o feiticeiro.

Como referi no início. Lamento a mistura entre a URSS e a China, que se considere a URSS, a violência e a nomenclatura, tudo a mesma coisa. Utilizando argumentos, ideias, chavões e boatos de direita.
Acima de tudo receio que o debate tenha voltado á estaca zero.

terça-feira, janeiro 29, 2008 5:07:00 da tarde  
Blogger Nelson Peralta said...

Filipe,

No passado a UDP apoiou o regime Albanês, o MRPP é que apoiou (e apoiará?) o Chinês.

Quanto a Trotsky sei bem do seu papel enquanto comissário de guerra e não tenho grandes ilusões caso ele tivesse alcançado o poder. O que só reforça a minha ideia.

Na realidade há duas coisas em discussão: a violência no momento de ruptura e a violência continuada para a purificação. É desta última que tenho falado insistentemente, e da minha rejeição por uma ideologia científica e absoluta.

Quanto ao convite aceito, mas de preferência para procurar livros que relatem as vítimas do capitalismo... e que serão bem difíceis de encontrar.

Uma questão e esperando não estar a fazer interpretações abusivas: aceitas o uso da violência na URSS (embora reconheças excesso), e rejeitas esse mesmo uso na China? A ser assim é só porque não é a "tua" revolução.

terça-feira, janeiro 29, 2008 6:21:00 da tarde  
Blogger filipe guerra said...

Nelson,

Tens razão no reparo que me fazes sobre a UDP, era de facto mais pró albanesa. Embora eu tenha a ideia que nem toda a UPD seguisse a linha de Enver hodja, havendo diferenças. Mas ok. Aliás, acrescento até que a UDP tinha alguma gente muito séria e bem intencionada (não confundir com outros).

Claro que só aceito a minha violência, porque acredito que o meu ideal é melhor. Agora é óbvio, que não o vou impor sozinho, preciso de um colectivo e de um povo inteiro para o construir. A questão não se coloca se a revolução ou a violência são "minhas", a questão é se servem ou não o interesse colectivo.
Pode-se fazer a seguinte analogia: eu sou contra a legalização da organizações racistas ou nazi-fascistas, porque acho que os seus ideias não são aceitáveis, porque o meu ideal é melhor e porque considero que a sua existência é nefasta para os interesses colectivos.

Acredito que os homens sa batem pelas sua ideias como sabem e podem, com as formas e os metodos que julguem necessários e possíveis num dado momento. Parece-me mais ou menos óbvio.
Se em determinados momentos é necessária uma forte determinação e resistência e é exigivel uma coragem e firmeza ideológica e até física, noutros pode ser necessário "partir os dentes á reacção, antes que ela morda".

Não?

terça-feira, janeiro 29, 2008 10:48:00 da tarde  

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