A violência não é romântica
Massacre de Tiananmen, 1989The Unknown Rebel, um cidadão chinês opõe-se a tanques do regime (foto Jeff Widener)
Numa troca de ideias sobre globalização/internacionalismo começada aqui, neste texto e na caixa de comentários, acabou-se a discutir a questão da violência na URSS e no processo de transformação da sociedade.
A discussão prolongou-se ainda no Quotidiano da Miséria, onde o Filipe Guerra adornou a sua argumentação com umas fotos a preto e branco de revolucionários de arma em punho. Acontece que a violência não foi um episódio circunstancial, nem tão pouco [apenas] um instrumento para preservar a revolução contra o poder do capital. A violência foi o sistema, o sistema foi a violência. O propósito máximo da violência foi a manutenção do sistema, o seu desígnio a sobrevivência da nomenclatura.
Trabalhos forçados num Gulag
Cidadã ucraniana deslocadaA violência nada teve de heróico e estóico, apenas de cobardia. Tal como no capitalismo, o Estado arroga para si o monopólio da violência e exerce-a de forma visceral. Exerce-a contra o capital, contra vozes divergentes no movimento revolucionário, contra jornalistas e quem ousa ter opinião divergente, e pura e simplesmente contra a população.
Trotsky às portas da morte, 1940Etiquetas: globalização, União Soviética, violência urbana

