terça-feira, março 17, 2009

A escola de Paulo Portas


Em Esgueira, uma aluna agrediu uma professora. Paulo Portas não hesitou em enviar um comunicado sobre o caso concreto, afirmando que «na sociedade portuguesa está a perder-se o respeito por todas as funções da autoridade». O "respeitinho" é muito bonito.

Paulo Portas vai ainda mais longe, defendendo que o CDS-PP «tinha razão quando defendeu que as agressões a professores deverão ser uma agravante em termos de processo penal».

Sobre casos concretos que não conheço, nada posso dizer. Na generalidade, as agressões a professores ocorrem por alunos que não sentem a escola como algo seu, que não tem relação de pertença com a comunidade escolar. A hierarquização da escola, aulas expositivas e não participadas, conteúdos onde não cabe a cidadania, uma vida social muitas vezes também ela problemática são as raízes. Em suma, a autoridade e o respeitinho só agravam esse sentimento de não pertença aquela comunidade. Antes de mais é necessário evitar estas situações e melhorar a escola com medidas integrativas, com partilha de responsabilidades entre professores e alunos e através da dinamização de uma cidadania inclusiva. E, perante um caso de agressão, não é certamente por punir severamente e desistir da criança que se constrói uma sociedade e uma escola melhor e mais justa.

Porém, o corajoso Portas que exige uma punição mais gravosa para a agressora de 13 anos revela-se pelo silêncio. Numa escola em Barcelos, 17 alunos ciganos estão numa turma à parte e, que ao contrário dos seus colegas, tem aulas num contentor. Sobre isto, todos os partidos da oposição parlamentar exigiram esclarecimentos à ministra, todos excepto o CDS-PP.

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6 Comments:

Blogger RA said...

Anda desatento, leia, por exemplo, o que escrevo e penso. Sou CDS, dirigente local e nacional. Não precisam de pedir todos ao mesmo tempo a ida da ministra ao parlamento. Espere pelas perguntas e declarações que cada um fará e depois julgue...

quarta-feira, março 18, 2009 4:20:00 da tarde  
Blogger Nelson Peralta said...

RA,

Não deixa de estar patente o contraste e a prioridade dada aos casos para um merecer comunicado e outro merecer perguntas daqui a umas semanas.

quarta-feira, março 18, 2009 9:14:00 da tarde  
Blogger jpt said...

Pode ter razão em tudo o que diz, mas as explicações da actitude do aluno não podem servir como desculpa para o acto que cometeu. A desresponsabilização do aluno só agravará o problema. Ataquemos as causas, mas responsablizemos as pessoas pelos seus actos negativos.

quinta-feira, março 19, 2009 10:20:00 da manhã  
Blogger Nelson Peralta said...

jpt,

O que eu pretendo é exactamente responsabilizar o aluno. Mas responsabiliza-lo a sério, conferir-lhe responsabilidades sobre como funciona e como se organiza a escola. Fazer com que ele seja parte da escola e não esteja lá só para ouvir.

quinta-feira, março 19, 2009 11:05:00 da manhã  
Anonymous Francisco Vaz da Silva said...

A autoridade em causa...
Caro Nelson
Tudo de acordo quanto aquilo que deve ser uma escola a funcionar decentemente num país decente. Isso é uma coisa, outra é a agressão por parte de um(a) aluno a um professor. Educação e respeito são fundamentais em qualquer sociedade. Não há argumento possível para defesa de um aluno que agride um professor, seja qual for a razão.Isto só se está a verificar porque os pais se demitiram de educar os filhos e o estado tem dado o mau exemplo de desautorização dos professores que permitiu criar este ambiente bárbaro nas escolas, sendo hoje os professores resposabilizados por tudo o que há de mau na nossa sociedade.
Na escola como na vida nem tudo são rosas, há que aprender a lidar com a frustração, com as contrariedades, etc. É assim que se cresce! Com bons e com maus professores. Com escolas chatas e aborrecidas.
A esquerda sempre teve e continua a ter problemas em lidar com a questão da autoridade. Repara só que provavelmente todas as pessoas encontram justificação para os seus actos, sejam eles quais forem, mas a questão não é essa. Ou então estamos a aceitar que um professor mande um "chapadão" num aluno (e alguns bem o mereciam), porque também para ele se pode invocar todas as razões para ter perdido a cabeça.

Francisco Vaz da Silva

terça-feira, março 24, 2009 12:43:00 da tarde  
Blogger Nelson Peralta said...

Francisco,

Considero que os responsáveis pelos seus actos são em primeira instância os próprios. Quem agride deve ser responsabilizado por tal, evidentemente.

O meu texto ia noutro sentido, na reacção de um político sobre um caso concreto de violência na escola aproveitando o facto para a sua agenda: baixar a idade de responsabilidade criminal de 16 para 14 anos.

E verificar o contrate dessa atitude com a ausência de atitude do mesmo político para com outra situação escolar na mesma semana.

Quanto à violência escolar, considero que ela baixará significativamente quando os alunos se sentirem parte da comunidade escolar. Aí deveremos estar de acordo. E a desautorização que o Estado tem feito aos professores, como dizes, tem de facto contribuído para esse divórcio.

terça-feira, março 24, 2009 3:24:00 da tarde  

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