sexta-feira, julho 13, 2007

O ambiente: a esquerda, a direita e as misses

[publicado no Diário de Aveiro, 13 de Julho de 2007]


A defesa do ambiente e o combate ao aquecimento global tornaram-se temas centrais na nossa sociedade. Como tal hoje estão presentes no discurso de todos os políticos.

Contudo nem sempre foi assim, durante vários anos, e apesar das evidências científicas, foram muitos os que negaram a existência do aquecimento global. À cabeça George W. Bush que se recusou a assinar o tratado de Quioto, mas não foi o único e ainda hoje muitos ideologos liberais recusam liminarmente que o aquecimento global seja provocado pela acção humana. A evidência do aquecimento global mostra que o modelo em que vivemos é completamente insustentável, porém quem tão minuciosamente desenvolveu o modelo jamais poderá consentir o seu colapso.

No modelo vigente pretende-se passar a ideia de que a revolução ambiental passa por trocar lâmpadas por outras económicas e apagar a luzinha vermelha dos televisores. Podemos assim manter o nosso modo e estilo de vida que tudo se resolverá, e com estes actos apaziguamos a consciência.

A noção de sustentabilidade do capitalismo assenta somente no presente, fazendo-se escolhas insustentáveis na esperança de que no futuro a técnica resolva os problemas hoje criados.

Os defensores do modelo vigente apenas pretendem operar as pequenas alterações para que tudo se mantenha igual. Existe um problema energético, portanto propõem novas formas de energia quer seja a nuclear ou a falsa energia verde dos agro-biocombustíveis. Contudo, a redução substancial não é opção já que isso implicaria a alteração do modelo de consumo e produção em que se baseia a nossa sociedade. A alteração da forma de consumo, mas a sua manutenção em alta. A esperança na técnica futura.

Apesar da declaração de boas intenções de todos e da proclamada preocupação ambiental, o que diferencia a visão da esquerda socialista?

O nosso estilo de vida é absolutamente insustentável como o aquecimento global, a destruição de habitats, a extinção acelerada de espécies, a redução de água potável, a poluição global demonstram. É portanto necessário sair de um modelo de consumismo exacerbado imprimido pelas necessidades de produção e de geração de lucro.

Uma das questões centrais é o paradigma energético. Actualmente a energia é produzida de forma centralizada por um número muito limitado de empresas que a distribuem pela população gerando um imenso lucro desta actividade. A produção de massiva de energia - de forma concentrada, num ponto distante, por processos gigantescos e o seu transporte para cada casa - é uma excelente forma de gerar lucros, mas uma péssima de produzir energia.

A alteração do paradigma energético é essencial. A produção deve começar na casa de cada um, de forma diversificada, e o excedente inserido na rede nacional. De momento esta prática é bastante dificultada e mal remunerada.

Para além da questão da produção existe o consumo energético que tem que ser reduzido substancialmente. Este ponto, para além da redução da produção-consumo, passa necessariamente pela aposta séria no transporte público e num ordenamento do território que favoreça a mobilidade sustentável.

O rumo traçado esgota os recursos do planeta e torna-o inabitável. São necessárias medidas que, mais que paliativas, tornem sustentável e com plena qualidade de vida a nossa existência.

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