sábado, novembro 08, 2008

Na estrada do tijolo amarelo


Aconselho que vão ao Avante! ler este artigo sobre sindicalismo na China. Depois podem bater os sapatos vermelhos três vezes para voltarem para casa.

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quarta-feira, agosto 13, 2008

Só a beleza* é revolucionária


Em nome do «interesse nacional», um alto quadro do Partido Comunista Chinês mandou substituir a miúda de 7 anos que iria cantar na abertura dos jogos Olímpicos, já que esta tinha dentes tortos e um rosto bolachudo. Assim, «pensámos o que era melhor para o país» e meteram uma miúda "bonita" a fazer playback com a voz da miúda "feia"!

* - ou as convenções sociais da norma

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sábado, agosto 09, 2008

A estranha normalidade

O JMO considera que estas minhas críticas ao regime Chinês aproveitando a janela mediática aberta pelos Jogos Olímpicos é «abusar das coisas para fazer politiquice». De resto, o PCP está de acordo com o JMO, destacando a «normalidade» com que a China preparou os Jogos e desvalorizando as tentativas de «politização» dos mesmos.

Moral da história, o sr. João está a ver as corridas, não o incomodem e não estraguem a festa com criancinhas acorrentadas a máquinas de costura, com execuções públicas em estádios, com deportações forçadas para se construir pistas de tartan, com a censura, com os presos por delito de opinião, com os campos de concentração...

Esta história não é nova. A abstenção perante a politização do sistema vigente arroga-se como regra. É o conforto de quem considera os direitos humanos um pormenor, porque quer ver as corridas. É a cegueira de quem não vê que, do primeiro ao último dia, estes Jogos são uma encenação política, onde a China aproveita ao máximo para se afirmar como potência económica "aceitável". Tal qual os Jogos de 1936 na Alemanha nazi, com a agravante de que a China é já membro de pleno direito do clube das "democracias ocidentais".

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sexta-feira, agosto 08, 2008

Os Jogos da Vergonha

[Publicado no Diário de Aveiro, 8 de Agosto de 2008]


Hoje iniciam-se os Jogos Olímpicos de Pequim. Se a janela mediática tem estado entreaberta, vai-se abrir em definitivo. Na capital da China e noutras cidades estarão milhares de jornalistas. Há ainda a somar milhares de câmaras de vídeos e de fotografia nas mãos de turistas.

No Ocidente, o capitalismo mudou bastante nos últimos séculos devido à constante luta dos trabalhadores. Passou a ter uma grande componente especulativa com abrandamento – mas não desaparecimento – da componente produtiva.

A globalização do sistema dominante divide o planeta em dois: de um lado o mundo produtor, do outro o mundo consumidor. Só assim se consome sem remorsos. O capitalismo é global, as multinacionais são as mesmas. Apenas operam em negócios diferentes consoante a relação de forças na ocasião. Se na Europa os trabalhadores conquistaram o direito à dignidade, então a produção faz-se onde a escravatura assalariada esteja de boa saúde.

O capitalismo do século XIX está vivo, na China e em bastante outros países em vias de desenvolvimento. Aí reina a escravatura assalariada, trabalhadores sem direitos, sem liberdade de expressão e de pensamento, com uma jornada laboral suicida, trabalho infantil, ausência do direito à escola. A China é hoje o rosto mais cruel do capitalismo.

Jerónimo de Sousa e José Sócrates, o PCP e o Governo, sem esquecer os capitalistas: todos tecem loas à China. O Partido Comunista Português realça "o papel cada vez mais importante da China na comunidade global, os êxitos inegáveis do país e os objectivos socialistas que Pequim se propõe alcançar". José Sócrates considera os "juízos políticos" secundários e que "a China está a mudar a ordem mundial, é uma das mais pujantes economias emergentes". O poder instituído e os capitalistas apoiam…

A China é um gigantesco campo de concentração com máquinas de costura. Contudo, o único caso digno de mediatismo é o tibetano. Esta não é uma escolha inocente. O Tibete é um problema digno e legítimo, mas ao contrário da escravatura laboral, não é um caso que coloque em causa o nosso modo de vida. Um simples relato do que é a vida de quem nos produz os bens de consumo, de marca conceituada ou não, seria suficiente para morder o capitalismo. Porém nem uma grama de notícia.

A censura tem sido uma constante, quer por parte de meios de comunicação chineses quer pelos ocidentais e ainda por empresas de internet ocidentais. O capital não morde nos seus. É por este mesmo motivo que considero estes Jogos da Vergonha uma oportunidade única. Está aberta a janela mediática, é aproveitar.

O atleta negro Jesse Owens envergonhou a Alemanha nazi e os Estados Unidos segregacionistas ao ganhar quatro medalhas de ouros nas Olimpíadas em Berlim de 1936. Nos Jogos Olímpicos no México (1968), Tomie Smith e John Carlos no pódio tomaram uma posição – punho levantado com luva negra, descalças e com contas no pescoço – contra a segregação racial de que eram vítimas nos Estados Unidos. O terceiro atleta no pódio, o australiano Peter Norman, usou um crachá em apoio à causa. Por esta atitude, os dois atletas negros foram expulsos dos Jogos e Peter Norman repreendido. Os três foram ostracizados nos seus países, até às sucessivas homenagens que apenas ocorreram neste século.

O Presidente do Parlamento Europeu, apela a que os atletas denunciem as violações dos direitos humanos. Este senhor do status quo pede para que atletas façam aquilo que a própria União Europeia e o Parlamento Europeu institucionalmente não fazem.

Em 2004 os Jogos regressaram à sua casa da antiguidade. Na modernidade os Jogos vão pela primeira vez à sua casa, onde as grandes marcas que patrocinam os Jogos e os atletas explora e fazem disso o seu lucro.

A janela mediática está aberta, espero que os atletas nos Jogos e os trabalhadores chineses nas ruas digam bem alto que os direitos humanos, a escravatura laboral e a liberdade de expressão não são um pormenor. A queda do regime totalitário e sanguinário e a transformação social na China é a exigência não só de uma força de esquerda progressista, mas da própria modernidade.

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quinta-feira, maio 08, 2008

O PCP está de visita à China

Execuções públicas em estádios, China


E eu a pensar que a China é o país capitalista de maior sucesso, onde é feita a produção global à custa da exploração laboral, autêntica escravatura assalariada! E onde os trabalhadores não tem direito à greve, liberdade de expressão ou reunião. E onde o Estado não hesita em exercer o seu monopólio da violência para garantir que a produção capitalista não seja afectada. E eu a pensar que era assim que o Capital se constituia à custa dos trabalhadores...

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