terça-feira, abril 15, 2008

O capitalismo comeu a esquerda italiana de cebolada


La Sinistra l'Arcobaleno (A Esquerda Arco-Íris) é uma coligação criada para estas eleições italianas que engloba a Refundação Comunista, a Federação dos Verdes, o Partido dos Comunistas Italianos e a Esquerda Democrática (SD).

Antes das eleições de ontem, estes quatro partidos dispunham de 94 deputados (total de 10,2% mais a SD que nunca foi a votos) e 47 senadores (11,6% + SD).

Nestas eleições não foi encontrado nenhum pote de ouro no fim do arco-íris, foi o descalabrado: zero deputados (3,1%) e zero senadores (3,2%). Toda a esquerda italiana ficou, pela primeira vez, sem representação parlamentar, em parte devido à batota que é o sistema eleitoral criado por Berlusconni, mas acima de tudo por responsabilidade própria e pela enorme descida eleitoral.

Estes partidos estavam coligados no Governo de Prodi, defendendo pela força do poder, a intervenção da NATO no Afeganistão e a política de Prodi. Pela via da coligação de poder, que contribuiu a esquerda para a melhoria da vida dos italianos? Que avanço civilizacional obteve? Ficou-se mais perto da transformação da sociedade e da derrota do capitalismo?

O voto dos cidadãos italianos exprimiu a utilidade da esquerda bengala do poder dos partidos ditos "social-democratas" com agenda neoliberal (PS e equivalentes europeus). O resultado? A esquerda esteve no poder a imprimir as políticas do capitalismo. A esquerda divorciou-se da sua base de apoio social. A esquerda permitiu a vitória a Berlusconi. A esquerda parlamentar italiana morreu, continua viva nas ruas e haverá de ressuscitar.

O objectivo é a transformação da sociedade, pelo que alcançar o poder é um meio e nunca o fim em si. O poder só é útil se permitir imprimir a mudança ou deixar-nos mais perto dela. O poder bengala é a negação daquilo que é a esquerda.

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quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Voluntarismos


Ontem vi uma reportagem sobre os voluntários que asseguram a campanha não mediática de cada candidato nos states: distribuição de flyers, broches (como os da imagem) e outras tretas.

De acordo com a acrítica reportagem televisiva, a diferença entre o jovem voluntário de Obama e o de McCain era o fato e gravata do Republicano. Nessa análise simplista e apesar de nada mais nos dizer a tv acertou: ambos os voluntários são iguais na incapacidade decisória.

Os voluntários da campanha não tem qualquer voto na matéria. São meros políticos coladores de cartazes (por cá temos as jotas). A campanha eleitoral gira em torno da personalidade de cada concorrente, mas as ideias lá vão surgindo. Acontece que os voluntários não tem qualquer influência ou poder de decisão sobre essas ideias. Estão apenas limitados a aderir ou não ao candidato e a servir o seus caprichos.

Resumindo, as primárias ao parecer que alargam o leque de escolha, apenas encolhem o poder de decisão de cada elemento de base de cada partido, funcionando como um plebiscito.

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