terça-feira, agosto 11, 2009

Desobediência civil de burberry's

A direita que berra contra a desobediência civil como acto cívico (de resto direito consagrado na Constituição), é a mesma direita que na última madrugada praticou um acto que designa de "guerrilha ideológica".

A autoridade é uma forma de manter as desigualdades sociais. A direita não clama pela autoridade quando esta é contrária aos seus interesses.

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quarta-feira, novembro 05, 2008

A JCP e a praxe académica


Através deste artigo do Mudar de Vida cheguei a este comunicado da JCP opondo-se aos novo regime jurídico das universidades, entre outras coisas relevantes, porque este atenta contra a praxe!

Considero que o papel de uma força anti-capitalista deve também passar pela rejeição deste exercício discricionário e de habituação à autoridade. A consciência crítica não deve adormecer perante a tradição, a antiguidade ou a "normalidade". A reflexão crítica e a razão devem prevalecer sobre a autoridade.

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sexta-feira, agosto 22, 2008

Os meninos bonitos não são socialistas


Em Itália, um tribunal siciliano retirou à mãe a custódia do filho de 16 anos porque o menor se filiou no Partido da Refundação Comunista. O pai entregou aos serviços sociais alguns pertences do filho, como o seu filiação do filho e uma bandeira do Che, para provar a sua alegação. O tribunal considerou que o jovem pertencia a uma organização extremista.

Curiosamente, até há uns meses, o Presidente do Parlamento italiano e dois ministros pertenciam a esta força política. Berlusconni colocou militares em acções de policiamento na rua, prepara-se para expulsar cidadãos comunitários para a Roménia e elaborou uma lei que o iliba e o safa do tribunal. Está criado o clima para o abuso e para a arbitrariedade.

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quarta-feira, agosto 13, 2008

Cowboys de sofá ou a sacralização da propriedade


No assalto/sequestro no BES a polícia usou força mortal numa situação onde existia risco para a integridade física de outrém. Não foi o desfecho ideal, mas o possível e justificado.

Após o assalto a ferro velho numa vacaria, os suspeitos/criminosos, colocaram-se em fuga à GNR. Segundo a versão oficial - por mais improvável que seja - o GNR, ao tentar disparar para os pneus, atingiu com dois tiros uma criança de 13 anos que seguia a bordo, isto a 1 km da vacaria.

O primeiro caso foi o prelúdio, a turba regojizou com o resultado. Na imprensa, blogosfera e na assustadora comunidade comentadora do Público online elogiava-se o desfecho como um exemplo para a malandragem, que serviria para diminuir a criminalidade. Claro está que este tipo de declarações, ainda para mais vindas também da própria polícia podem fazer exactamente o inverso: «incentivar a justiça feita por polícias. Ou seja: um incentivo ao crime».

Poucos dias depois surgiu o caso da criança de 13 anos, com a turba a considerar plenamento justificado aquele uso de força por parte da GNR. Os cowboys de sofá não devem ter reparado que nas perseguições policiais na terra dos cowboys não há tiros, há abalroamento de viatura. E caso os disparos tenha sido feitos por pistola e não por espingarda, umas aulas de física também davam jeito!

Pelo que li já vi que a minha posição é ultraminoritária. Considero que devem haver regras objectivas para que a polícia dispare, sendo justificável que o faça em legítima defesa e quando está em risco a integridade física de alguém.

Mas assistimos a alguns fenómenos sociológicos interessantes que mereciam um estudado compreensivo e objectivo:

  • a influência dos media na percepção da realidade: todos falam como se a criminalidade em Portugal tivesse aumentado, apesar de vivermos num calmo paraíso. A abertura de telejornais vale bem mais que os dados.
  • a sacralização da propriedade: o valor da vida humana é relativizado em contraponto com a absolutização do valor de propriedade. A coisa assume proporções tais que é considerada justificada a morte do ladrão de ferro velho porque atenta contra a propriedade e foge da polícia.

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