sexta-feira, dezembro 10, 2010

Como a realeza, vê do seu Rolls Royce o aumento das propinas

domingo, maio 16, 2010

A fornicação e a moral pública


Não sei se foi da visita do número 1 da ICAR a Portugal, mas a polícia dos costumes saiu à rua.

Duarte Pio, o tipo que acha que devia ser rei e todos nós súbditos, veio a público garantir que "Tornar obrigatório o ensino da educação sexual resume-se a dizer: forniquem à vontade, divirtam-se, façam o que quiserem mas com higiene. Praticamente é só isso, em vez de dar referências éticas e morais em relação ao desenvolvimento de uma sexualidade saudável. Ao mesmo tempo, desencorajam-se as aulas de educação moral e estamos a dizer que a moral não tem importância, que só a sexualidade livre é fundamental para a felicidade dos portugueses".

Duarte Pio aproveita a embalagem e declara ainda que consigo não havia divórcio, casamento homossexual ou aborto. Fico verdadeiramente comovido com este desejo de tornar o Estado como o doutrinador e fiscalizador da moral e dos costumes. Fico enternecido especialmente por quem o pede, já que a malta da sua laia - quem julga que por ser filho de um tipo qualquer lhe confere direitos superiores ao resto da população - no passado utilizou exactamente esses mecanismos para impor, por exemplo, o direito de pernada.


Mas, mais grave que as declarações de um tipo a uma revista é mesmo a actuação de malta a quem a sociedade confere alguns poderes. Isto sim assusta: que a Vereadora Maria Gentil Vaz, do PSD, possa definir a moral pública e impô-la com o despedimento e a transferência de funções da professora das actividades de enriquecimento curricular Bruna Real que pousou para a Playboy com outra mulher.

A Câmara de Mirandela empregava a professora através de recibos verdes ilegais e a ganhar menos de 500 euros. José Pires Garcia, presidente do agrupamento de escolas em questão considera ainda que pode definir o que é apropriado ou não para a vida privada de um professor:"aparecer numa revista sem roupa não é compatível com a função de professora e de educadora".


Esta conduta dos poderes em Mirandela mostra-nos não só o abuso desta gente ao impor os seus valores conservadores a toda a sociedade, mas também a sua visão sobre o trabalho. Durante o horário laboral vendemos não só a nossa força de trabalho, mas também a nossa vida. E, fora da labuta, temos que nos reger pelos princípios morais de quem nos emprega. A única coisa bonita nesta história é o facto destes conservadores se oporem ao mercado que tanto idolatram: a revista esgotou, não foi? O mercado serve para para distribuir os bens e serviços pela procura e logo pela necessidade social, não é? Pelos menos é essa a justificação para vivermos nesta organização social capitalista. Se não é verdade, ...

Já sabíamos que a precariedade era um excelente mecanismo de controlo social, minimizador do confronto quando se baixam salários e se retiram direitos laborais. Ficamos agora a saber que esse controlo social se estende à imposição de uma moral pública. Ou aceitas a coisa implícita ou ficas sem emprego.


Nada que me seja distante e não esteja habituado. Em Aveiro o Presidente Élio Maia deu a si próprio o poder de definir e interditar o que não vai ao encontro do "decoro e moral públicas" e o Vice-Presidente Carlos Santos acha que tem o poder para definir que os eleitos não podem usar sapatilhas em iniciativas públicas.

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sexta-feira, fevereiro 15, 2008

A fanfarra e a batata frita

Regicídio: as vergonhosas cerimónicas da CM Lisboa em 2006 [comparar com as de 2008]

JMO parece ter ficado irritado pelo facto da Fanfarra do Exército e do Regimento de Lanceiros não ter ido tocar à cerimónia pública de evocação do Regicídio, organizada por associações monárquicas, vai daí escreveu ao Presidente da República a queixar-se. Também não deve ter ficado agradado pela rejeição do voto de pesar pela morte do então rei Carlos e príncipe Luís Filipe no Parlamento.

Agora, num post que dirige a mim, para além de abordar estes e outros acontecimentos, mostra o seu descontentamento pela posição do Bloco e as minhas críticas às comemorações do centenário do regicídio promovidas pela Câmara Municipal de Aveiro. De tal forma, que teoriza que isto também será obra do deputado Fernando Rosas.

Para JMO, é normal que o site da autarquia nos diga que o regicídio "[m]ais que um homicídio, tratou-se de um crime contra o Estado", mas não é. Esta é uma interpretação histórica que a CMA nos deu como História oficial. Não compete a órgãos públicos a escrita da História oficial, e muito menos reescreve-la aos olhos dos seus preceitos ideológicos. O relativismo desta questão é tal que, na mesma data, a CM de Castro Verde homenageou Alfredo Costa e Manuel Buíça (os regicídas). Há quem os considere vis assassínos, há quem os considere mártires da liberdade.

Para JMO, é normal a CMA - através do museu - apresentar às crianças das escolas primárias do concelho a apresentação de nome "Infames, Infames! Que Matam o Rei!", não é. O próprio título foca o momento histórico na morte e atribui um valor moral aos regicídas (aliás, o mesmo adjectivo usado pela então raínha).

De resto, JMO confunde interpretações históricas com artefactos históricos, mas o supra-sumo da sua argumentação é: «Já agora explica porque é que houve vândalos que tentaram estragar um Monumento Nacional - Igreja de São Vicente de Fora, com uma pichagem a dizer "Viva Buiça"... Seriam do BE?» O que me permite também dizer coisas idiotas e sem sentido como "vi um tipo a comer batata frita de pacote, seria monárquico?".

Adenda [16 Fev]: ao contrário do que JMO diz «não me lembraria de atacar os serviços como o BE o fez», nem o BE nem eu alguma vez atacamos serviços da CMA nem nunca o faremos. Como é óbvio o destinatário da crítica é o poder político e eleito da CMA.

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segunda-feira, fevereiro 04, 2008

A CMA e o seu serviço de revisionismo

Cartaz no site da CMA

A Câmara Municipal de Aveiro decidiu (embora eu desconheça qualquer votação sobre esta decisão) evocar o regicídio de uma forma bastante peculiar.

Mas de todas as iniciativas a minha preferida é a apresentação “Infames! Infames! Que matam o Rei” dirigidas aos alunos do Primeiro Ciclo das escolas do Concelho.

Não compete à Câmara Municipal de Aveiro produzir uma versão oficial da História, não lhe compete rever a História de acordo com os preceitos ideológico dos seus Vereadores, nem fazer uso da sua posição para doutrinar os alunos do primeiro ciclo do concelho.

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