segunda-feira, outubro 18, 2010

Os mercados sempre foram espaços das mulheres... e a cozinha também


A Câmara Municipal de Aveiro vai transformar o Mercado Manuel Firmino "num mundo da mulher". Assim, o executivo camarário preenche este mundo com "mulheres a potenciar a sua imagem, consultas nutricionais, apresentação de serviços e produtos de estética, um Show Cooking e um desfile de moda com as colecções das lojas de roupa envolvidas no projecto". Portanto, a mulher deve dedicar-se à sua beleza, à dieta, aos cométicos, à cozinha lá de casa e à roupa.
Para a organização da iniciativa, "os mercados sempre foram espaços das mulheres". Deve ser por isso que remetem a mulher para o seu espaço apropriado e se fala aí do que é apropriado as mulheres falarem.
A Câmara Municipal de Aveiro não só atribui papéis de género como ainda dá à iniciativa o nome do musical My Fair Lady! Nada mais adequado. A mensagem é a mesma, eduquem-se as mulheres, mas agora com padrões mais adequados à sociedade de consumo!

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sexta-feira, agosto 22, 2008

O alarmante aumento da ciminalidade

A criminalidade está a alastrar perigosamente em Portugal: a violência doméstica já matou 31 mulheres este ano, mais que do que em todo o ano passado.

Neste crime há vítimas mortais e não só crime contra a propriedade. Contudo, ao contrário do carjacking não abre noticiários, já que se trata de uma forma de violência socialmente mais aceite: entre marido e mulher ninguém mete a colher, nem a câmara de teelvisão!

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quarta-feira, maio 21, 2008

As mulheres não sabem conduzir*


O Centro Comercial 8ª Avenida (São João da Madeira) que incluí um masturbatódromo, contava também com lugares de estacionamentos - com dimensões iguais às dos lugares reservados a deficientes - exclusivos para mulheres.
* - aparentemente um novo chavão liberal

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quarta-feira, abril 04, 2007

Mães de Bragança

A Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CTGP-IN criticou hoje o Casino de Lisboa pela promoção do espectáculo «Crazy Horse» considerando a postura do Casino: «eticamente reprovável», «atentatória da dignidade das mulheres», e que promove «uma imagem publicitária onde, sugestivamente, se apela à utilização do corpo feminino como mero objecto de prazer mercantil».

E que sugere a CGTP? Não existindo coação, não tem o indivíduo o direito de usar o seu corpo como muito bem decide? Mas já que a CGTP se lembrou agora de pensar sobre o (não) direito ao corpo, o que nos diz sobre a defesa dos direitos laborais (e sociais) das profissionais do sexo em Portugal?

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segunda-feira, março 26, 2007

Estar lá arrojado

quinta-feira, março 08, 2007

A luta toda

A 8 de Março de 1857, as mulheres empregadas em fábricas de vestuário e indústria têxtil fizeram um grande protesto em Nova Iorque contra o reduzido salário (1/3 do masculino) e a redução do horário de trabalho de 16h para 10h diárias. [ilustração de Barbara Kruger]

Alguns historiadores referem que este protesto acabou com um grande incêndio de uma fábrica onde as mulheres foram trancadas, morrendo 130. Outros negam esta versão, remetendo a confusão para um incêndio de uma fábrica em 1911 que - por falta de segurança no trabalho - vitimou 146 mulheres trabalhadoras. De qualquer das formas, o Dia da Mulher teve a sua génese na luta das mesmas pelos seus direitos laborais.

Em 1910, por proposta de Clara Zetnik - dirigente comunista alemã - a data desse protesto foi instituída pela Internacional Socialista como Dia Internacional da Mulher. Desde 1957 a celebração é assumida pela ONU.

Acredito que a celebração de um dia apenas como evocação do passado é um exercício inútil. Deverá ter como objectivo providenciar a perspectiva histórica necessária para reflectir sobre o presente e projectar as lutas e conquistas para o futuro. Porém, a nível institucional apenas se apresentou a luta pelos direitos da sexualidade - neste e nos últimos anos em especial a questão da violência doméstica [que em nada é periférica]. A outro nível, assistimos à sua transmutação em mais um dia de prendas, bastando estar atento às montras: flores e chocolates.

A questão dos direitos laborais da mulher parece ter caído em esquecimento dando a ideia de que tudo já foi conquistado e solucionado. Contudo, neste momento e no nosso país uma mulher ganha menos pelo mesmo trabalho que um homem, corre o risco de perder o emprego ao engravidar, vê os lugares de chefia continuam-lhe vedados, e persiste como única responsável pela dupla jornada de trabalho (sendo que o doméstico não é remunerado); ao mesmo tempo que o demprego da mulher é superior e crescente.

Que fique bem claro: não defendo a primazia da luta laboral sobre as outras, dedico o texto exclusivamente a esta questão apenas porque a vi esquecida. Considero o resultado no referendo uma tremenda conquista para a condição da mulher e que a discussão gerada na sociedade permitirá ir mais além. Importa travar todas as lutas de todos e todas. Não posso aceitar a sonegação de uma das lutas essenciais; a igualdade passa também pelos direitos laborais da mulher.

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