quarta-feira, dezembro 24, 2008

O que nasceu primeiro: o ovo ou a fundação?


As Assembleias Estatutárias que decidiram a passagem das Universidades de Aveiro e do Porto a Fundação de direito privado eram constituídas pela reitora, representantes da comunidade docente, estudantes e «personalidades de reconhecido mérito e valor para a Universidade».

Na direcção das universidades que passem a Fundação estarão presentes "personalidades de reconhecido mérito e valor", vulgo representantes de empresas da sociedade civil. Não deixa de ser curioso que, na Assembleia Estatutária que decidia ou não a passagem a Fundação daquela que ainda era uma Universidade, já incluisse os ditos representantes da sociedade civil. Do seu voto dependia portanto se os mesmos poderiam ou não fazer parte da administração da universidade.

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segunda-feira, dezembro 22, 2008

Não há fundação? Não há dinheirinho!


No dia em que o Público tem na sua capa que «[n]os últimos três anos, as transferências do Estado para as instituições de ensino superior têm vindo a diminuir e já não chegam para cobrir as despesas correntes», eis que para o lado de Aveiro se deu o milagre das rosas e, para aquilo que não havia dinheiro, passou a haver e para muito mais: a Universidade de Aveiro passa a Fundação pública de direito privado e é contemplada com um contrato-programa com o ministério que prevê «o reforço das infra-estruturas e equipamentos, científicos e de ensino, a contratação de recursos humanos qualificados e o desenvolvimento de medidas específicas de apoio aos estudantes».

A chantagem está bem à vista. Ou aceitam o modelo de Fundação e a consequente mercantilização do ensino e da ciência, com os interesses privados com assento na direcção da mesma e a tomarem as decisões sobre um serviço de interesse público e colectivo, ou então definham sem dinheirinho!

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terça-feira, novembro 11, 2008

Universidade, Lda.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Quanto custa renomear uma universidade?

Aqui a Universidade (privada) tem nome de marca de cafe e de rede de cafes! Depois de receberem um donativo de 200 milhoes de euros da Fundacao Jacobs - o magnata local - decidiram rebaptizar a universidade com o seu nome.
Na universidade 75% dos alunos nao sao alemaes, sao de 94 nacionalidades diferentes. As propinas sao 20 mil euros/ano (embora muitos tenham bolsas que as paguem parcialmente). Funciona em regime americano: integralmente em ingles, dois semestres com datas iguais ao dos states, todos os alunos vivem no campus. O campus e' uma antiga base militar alema desactivada no final da guerra fria.
Evidentemente, como universidade privada que e', a maior parte da sua pesquisa e' aplicada. A investigacao e' direccionada para as necessidades da industria e muitas vezes financiada integralmente por ela, alias como se pode ver pelas noticias no seu site sobre os projectos em curso. Obviamente, a investigacao fundamental nao sera prioridade.

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