quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Por cá ninguém constrói empreendimentos imobiliários, apenas turísticos

A Reserva Agrícola Nacional (RAN), Reserva Ecológica Nacional (REN) e Rede Natura 2000 não passam de reservas de terrenos baratos.

Estes instrumentos e as suas limitações são feitos para um ordenamento e desenvolvimento sustentável do território. Por isso, o pequeno proprietário não pode aí sequer construir uma casa de uma assoalhada para o filho. Porém, quando o grande investidor precisa de construir empreendimentos imobiliários em terrenos baratos açambarcando as mais-valias urbanísticas, há que modificar o estatuto dos terrenos...

Mas posso estar só a delirar e não ser nada disto. Já agora, algumas notícias de hoje:
  • no litoral, o Governo retira da REN parte da Comporta (774 hectares junto à costa; totabiliza 10.911 camas e três campos de golfe, «o Grupo Espírito Santo pode, a partir de agora, construir o seu megaempreendimento turístico»).
  • no interior, Loulé: empreendimento turístico em Rede Natura 2000 (em cima do aquífero Querença-Silves, «um campo de golfe, dois hotéis, doze blocos de apartamentos, 35 moradias e respectivos acessos» totalizando 1700 camas, a UE considera que o direito europeu é violado por este empreendimento)

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terça-feira, agosto 28, 2007

O interesse nacional

[Foto retirada da Wikipédia]

Eu pensava que a Barragem do Alqueva apenas serviria para fomentar a especulação imobiliária! Estava enganado, aquilo sempre vai servir para regar alguma coisa... os 4 (quatro!!) campos de golfe de um complexo imobiliário classificado pelo Governo como Projecto de Interesse Nacional!

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sexta-feira, agosto 24, 2007

Tudo bons rapazes

[publicado no Diário de Aveiro, 24 de Agosto de 2007]


Pela primeira vez em Portugal, foi detectado o financiamento ilegal de um partido. O Tribunal Constitucional deu como cabalmente provado que em 2002 uma empresa de construção civil, a Somague, pagou a uma empresa de design e publicidade uma factura de 233 mil euros por serviços efectivamente prestados ao PSD e à JSD. Trata-se de um donativo 10 vezes superior ao permitido pela lei da altura e feito de forma encapotada.

De acordo com as informações vindas a público, sete facturas emitidas ao PSD foram anuladas, a sigla foi riscada e substituída pela da Somague. Anexado às facturas estava um documento interno para adoptar este procedimento. Os trabalhos pagos referem-se à campanha das Autárquicas de 2001. A empresa de design assegurou à Policia Judiciária que a alteração da entidade pagadora foi solicitada pelo PSD, através de um dos seus dirigentes. Este dirigente do PSD viria a ser o primeiro Secretário de Estado das Obras Públicas no Governo de Durão Barroso, exercendo funções de Abril de 2002 a Abril de 2003.

O jornal Público na sua edição de ontem dá conta que uma das primeiras decisões políticas anunciadas por este Secretário de Estado das Obras Públicas foi parar a concessão de uma auto-estrada contestada pela Somague. A Procuradoria-Geral da República acabaria por não dar razão à Somague, mas esta entretanto entrou para o negócio integrando-se na primeira classificada do concurso público.

Como refere o diário, este acto do Secretário de Estado foi tomado um mês e meio depois de a mesma pessoa, enquanto dirigente do PSD, ter solicitado a alteração da entidade pagadora das facturas.

Esta é em traços gerais a história do caso já noticiado por todos os órgão de comunicação. O porta-voz do PS reagindo ao caso preferiu realçar que, apesar do Tribunal Constitucional continuar a detectar casos, a apreciação do PS é a de que “o cenário global de transparência nas contas dos partidos tem vindo a melhorar”.

Outras informações recentes davam conta que, no âmbito da investigação Portucale, tinham sido encontrados donativos suspeitos no CDS-PP registados em nome de Jacinto Leite Capelo Rego, sem qualquer outro elemento identificativo. A campanha do PS no Brasil, nas legislativas de 2005, também foi notícia pela utilização de anúncios de televisão e pela nomeação de um “cônsul honorário” da nação.

Apesar da tranquilidade difundida pelo porta-voz do PS, ninguém pode estar satisfeito com a situação actual. Os partidos deveriam por sua iniciativa tornar pública a lista dos seus principais financiadores em cada campanha eleitoral. Mas nenhuma medida adicional pode substituir o integral cumprimento da lei pelos partidos. Ilegalidades como esta agora divulgada são inadmissíveis. Este caso e outros que eventualmente surjam devem ser escrupolosamente averiguados. Impõe-se que Durão Barroso, à altura líder do PSD, e uns dias mais tarde Primeiro-Ministro de Portugal se pronuncie e clarifique o assunto. Mas parece que ainda ninguém se lembrou de incomodar o actual Presidente da Comissão Europeia.

O Presidente da República, lesto noutras situações a pedir investigações e a exigir o cumprimento da legalidade, até ao momento ficou na comodidade do silêncio perante um caso que atenta contra a democracia, a transparência, a moral e a credibilidade da política.

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terça-feira, agosto 21, 2007

Alguém falou de violações à lei?


Esta semana, Pacheco Pereira, Marques Mendes e o Presidente da República Cavaco Silva tem andado particularmente interventivos nas questões de violação da legalidade. Aguardo para ouvir o que o Presidente tem a dizer no momento em que, pela primeira vez em Portugal, é detectado um financiamento ilegal a um partido e para ver quanto tempo perdurará a questão na imprensa...

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segunda-feira, abril 23, 2007

O Presidente que sonhou com um hotel, residências e um campo de golfe

O Presidente da Câmara de Ovar está incrédulo e chocado pelo facto do Ministério do Ambiente ter chumbado um complexo imobiliário (hotel, residências e campo de golfe) que se situaria em cima das dunas em frente à praia do Furadouro (o local que em toda a costa portuguesa mais sofre de erosão costeira: 9 metros de recuo por ano).

O Presidente da CMO já comunicou a sua insatisfação e discordância a várias entidades e ao próprio Primeiro-Ministro na esperança de um volte-face.

Prestemos um minuto solidário ao Presidente da Câmara de Ovar!

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quarta-feira, março 21, 2007

Pregar aos peixes

O famoso caso Freeport de Alcochete, construído em terrenos da Rede Natura começou a mostrar sinais de insustentabilidade económica com alguns encerramentos. A Freeport foi agora adquirida pela empresa liderada pelo antigo embaixador e agente da CIA em Portugal, Frank Carlucci. O que se seguirá? A visão lúcida no Estrago da Nação: A reformulação "que vai significar que parte ou a totalidade dos terrenos ocupados servirão para construção de habitação. E quando isso acontecer, ficar-se-á a saber quais os passos a seguir para retirar um sítio da Rede Natura para construção de habitação".

Tenho a sensação que andamos todos a pregar aos peixes! Por mais alertas que se dêem da destruição do ambiente às mãos da especulação imobiliária, nada acontece (ou será que tudo acontece?).

Esperem para ver em que se vão transformar os vários campos de golfe previstos para o distrito (incluindo um em Aveiro e outro em Ílhavo), no que será do Sportsforum em Ovar, e da Exponor em S. M. da Feira.

A Reserva Ecológica Nacional, a Rede Natura, a Reserva Agrícola Nacional, aparentemente apenas servem como reservas de terrenos baratos para construção e não como mecanismos de planeamento e ordenamento do território.

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