quarta-feira, maio 28, 2008

Os presos políticos também fazem parte do ecossistema

terça-feira, maio 27, 2008

Apresento-vos

Imagem Wikipedia
Apresento-vos Catterpillus amarellicus... que, tal como Ribau Esteves, também faz parte do ecossistema.

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Ribau Esteves também faz parte do ecossistema

quarta-feira, maio 14, 2008

Lá se vai a relva do jardim dos empresários

Simanca Osmani, «Cagle Cartoons» [Via Notas ao Café]


A Martifer especializou-se em greenwash. É verdade que o cacto, a palma e a jatrofa não entram na cadeia alimentar humana. Porém, estes cultivos competem com os produtos da cadeia alimentar, ao contrário do que Carlos Martins diz, a não ser que sejam plantados apenas no seu próprio jardim!

Para cultivar estas plantas para biodiesel é necessário reconverter o uso dos terrenos agrícolas ou de floresta virgem para gigantescos monocultivos. Ora, ao desviar terrenos agrícolas, o biodiesel provoca a diminuição na produção de alimentos, a sua escassez no mercado e o consequente aumento dos seus preços. Isto para além de atentar fortemente contra a sustentabilidade alimentar dos países em vias de desenvolvimento onde se localizam essas plantações.

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sexta-feira, abril 04, 2008

A sinceridade de Ribau Esteves

A área do projecto "Marina da Barra" sobreposta à cidade de Aveiro [clicar para aumentar]

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quarta-feira, março 26, 2008

As salas de espectáculo da região

Hoje no Diário de Aveiro: O Centro Cultural de Ílhavo abre a 24 de Março. Como se deve processar a relação das várias salas de espectáculo da região, como Aveiro, Ílhavo ou Estarreja? Existirão salas a mais?

A questão mais relevante não será se há salas a mais, mas sim se há público a menos e porquê. Estas salas tem valências e potencialidades diferentes, é necessário analisar o que leva a que estejam continuamente vazias.

Por exemplo, no caso do Teatro Aveirense, a política cultural não regista continuidade e é feita de rupturas. Não há a criação de hábitos sistemáticos, nem há uma calendarização coerente para uma determinada área cultural (teatro, dança, cinema, ...). O Teatro Aveirense é hoje uma sala sem identidade definida e sem estratégia de fidelização de público. O festival Sons Em Trânsito era a expressão de uma política que alargou os horizontes do Teatro, ao fidelizar e ir buscar público bem longe, tendo mesmo chegado a desenvolver parcerias com outras cidades. Este festival tornou o Teatro Aveirense numa referência nacional em músicas do mundo. O Festival Voz de Mulher tinha também potencial comprovado, mas veremos que seguimento lhe será dado.

Em Aveiro, a cidade e a universidade vivem em dois mundos separados, não há qualquer parceria na área cultural e de programação entre ambas. Não há nenhuma estratégia para atrair o imenso público da comunidade universitária para as salas de espectáculo do município.

A existência destas três salas de espectáculo geograficamente próximas deveria permitir o estabelecimento de parcerias e trabalho conjunto. Uma gestão envolvendo as várias salas permitiria o desenvolvimento de produção própria e local, algo que neste momento não existe.

Contudo, a avaliar por outras áreas parece-me que a relação entre as várias salas de espectáculo da região, pura e simplesmente não se vai processar. Tal como em tudo o resto, serão salas estanques no seu meio e concorrentes entre si. Não deixa de ser curioso que estes três município, mesmo governados pelo mesmo partido, não se consigam entender e implementar políticas estruturantes e intermunicipais.

Aliás, mesmo dentro do próprio concelho não existe uma política integrada para as diferentes salas de espectáculos. O Teatro Aveirense e o Centro Cultural e de Congressos, assim como as restantes salas do concelho, são espaços sem qualquer visão conjunta. Para mais, o Centro Cultural e de Congressos na prática já não existe para a cultura.

Estas diversas salas da região terão que apresentar uma programação singular e diversificada para atingir todos os públicos, para além de definirem uma identidade própria e diferenciadora.

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sexta-feira, março 21, 2008

Marina da Barra

[publicado no Diário de Aveiro, 21 de Março de 2008]



1 – As fintas do PIN

Como tem acontecido ciclicamente, o projecto imobiliário conhecido como Marina da Barra voltou à actualidade. Desta vez é adiantada a possibilidade do empreendimento ser classificado como Projecto de Interesse Nacional (PIN).

Neste projecto, PS e PSD estão unidos. Ribau Esteves é um fervoroso apoiante desta Marina da Barra. O deputado e líder distrital do PS, Afonso Candal, considera que o projecto apresenta «razões enquadráveis no que é considerado PIN», e que alcançar esse estatuto seria «conseguir desencalhar» o que ficou travado.

Relembro que o projecto foi travado pelo Ministério do Ambiente por apresentar «impactes negativos, muito significativos, não minimizáveis e irreversíveis». Portanto, as consequências e os impactos mantinham-se, mas seria este chumbo ambiental que o PIN permitiria desencalhar. Estranha função para o PIN, estranho interesse nacional.

A concretização deste projecto ocuparia uma Zona de Protecção Especial (ZPE), constituindo um grave precedente legal. O equilíbrio de um sistema ecológico frágil ficaria em risco, assim como a sustentabilidade das actividades económicas hoje associadas à Ria (pesca, apanha de bivalves, salinicultura, entre outras). Pode-se mesmo dizer que na prática haveria uma transferência de riqueza da quebra de rentabilidade destas actividades tradicionais para a referida componente imobiliária.




2 – Os números

Este projecto da Marina da Barra ocuparia uma área de 59 hectares. Basta fazer um exercício empírico, sobrepor a área total que o projecto ocuparia aos mapas das cidades de Aveiro e Ílhavo para verificar a dimensão faraónica do projecto (imagens Google Maps). Como se pode ver, o projecto é uma autêntica cidade.

O projecto compreende 858 lugares para embarcações, 1756 lugares de estacionamento para automóveis, dois hotéis, 120 moradias e 420 apartamentos.

Apesar dos números serem claros, continua-se a usar o termo “marina” para designar o projecto, não obstante quer os lugares de estacionamento, quer o número de camas seja superior à capacidade de albergar embarcações.

Sejamos bem claros, se a componente imobiliária é indispensável para assegurar a rentabilização desta marina gigantesca, então é porque uma marina desta dimensão não é viável nem necessária.

Este empreendimento imobiliário acarretaria ganhos monetários assinaláveis. A partir de solo que hoje é de todos, e apenas pela permissão de construção privada, seriam geradas fabulosas mais-valias urbanísticas, mesmo sem nada produzir e sem nada contribuir para o desenvolvimento da sociedade e à custa da qualidade de vida e ambiental.










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3 – As alternativas

O Bloco de Esquerda apresentou um projecto-lei na Assembleia da República prevendo a construção da Marina da Barra, mas limitando a edificação às «operações indispensáveis ao bom funcionamento da marina e abrigo portuário de embarcações de recreio».

A construção de uma marina gigantesca e concentrada servirá propósitos de rentabilização imobiliária, mas não resolverá os problemas dos cidadãos que efectuam a exploração tradicional da Ria. De facto, seria mais proveitosa a construção de pequenos portos de abrigo e de apoio descentralizados, ao longo de toda a Ria – onde necessários –, sem necessidade da enorme pressão imobiliária e servindo de facto a população e permitindo a viabilização das actividades tradicionais e sustentáveis na Ria de Aveiro.

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sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Alquimia: fazendo dinheiro a partir do nada

Porque insistem em chamar Marina a um projecto imobiliário onde a marina representa apenas uma pequeníssima parte, que apenas serve para legitimar a componente imobiliária? Querem fazer uma marina? Muito bem. Querem construir uma imensidão de betão em solo que hoje é Ria e propriedade de todos e daí retirar mais-valias urbanísticas milionárias? Com que direito?

Ser considerado um PIN permite que o projecto não esteja «sujeito a tanta burocracia», justifica e alcançar aquele estatuto seria «conseguir desencalhar» o que ficou travado, conclui.

Afonso Candal, deputado do PS, é sincero. Basicamente diz-nos que o PIN consegue desencalhar o que ficou travado ou seja, que o PIN consegue contornar dois chumbos ambientais por parte do Ministério do Ambiente

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sábado, abril 28, 2007

Fábrica de biodiesel no porto de Aveiro

O Bloco de Esquerda emitiu um comunicado relativamente à fábrica de produção de biodiesel do porto de Aveiro. Para mais a primeira pedra desta fábrica foi assente por um membro do Governo, sendo que a obra já bastante adiantada, não está licenciada ambientalmente.

O corolário e o link para o texto: A produção de energia a partir de plantas oleaginosas é uma prática insustentável - energética, ambiental e socialmente.

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quinta-feira, março 29, 2007

Energia verde não licenciada ambientalmente

Por pouco Manuel Pinho não fez outro figurão: assentar a primeira pedra de uma obra que não podia ser iniciada por falta de licenciamento ambiental. Assim a honra coube ao seu Secretário de Estado, tendo contado com a solene participação do Presidente da Câmara de Ílhavo.

Oito meses volvidos, continua a faltar o licenciamento e a obra está adiantada. Para adocicar ainda mais o caso, a fábrica situa-se em terrenos do domínio público marítimo, da jurisdição do Porto de Aveiro, que foram cedidos à empresa mediante um contrato de concessão.

Continuamente esta fábrica de biodiesel fabricado a partir de soja proveniente do Brasil é retratado como energia amiga do ambiente. Nada mais falso, como recentemente
aqui expus. Aliás basta atentar aos números fornecidos pelo JN para comprovar o que então disse: apesar de ser uma produção nefasta para o ambiente, é bastante rentável em termos económicos. Investimento inicial: € 16 milhões. Facturação anual: € 70 milhões.

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quarta-feira, março 14, 2007

Quinta da Boavista

No Diário de Aveiro de hoje [não consigo fazer o link directo] leio sobre o empreendimento turístico da Quinta da Boavista. Ribau Esteves, Presidente da Câmara de Ílhavo, afirma «a par da Marina da Barra e da Vista Alegre, o “aldeamento turístico da Quinta da Boavista” é um relevante investimento de interesse turístico para o município».

Para quem não sabe o projecto da Marina da Barra - chumbado duas vezes pelo Ministério do Ambiente - é tão só um gigantesco empreendimento imobiliário em plena Ria de Aveiro a reboque de uma marina.

Ainda na mesma notícia leio que a autarquia adquiriu 42 mil metros quadrados de um terreno do exército para o empreendimento da Quinta da Boavista. Faço as contas e a coisa custou menos de € 6 por metro quadrado. Compreendo esta verba dado tratar-se de uma transferênci - a posse continua pública - já que solo para infraestruturas imobiliárias é absurdamente mais valioso. Contudo não compete à autarquia realizar especulação imobiliária nem desbaratar bens públicos. Resta-me conhecer - e a notícia não me dá essa informação - os pormenores desta parceria da autarquia com a empresa privada promotora do investimento.

Deste processo nascerá «um aldeamento turístico, com um campo de golfe, um hotel, um centro de actividades lúdicas e um complexo habitacional». A autarquia também pretende realizar «um conjunto de investimentos de interesse público, com um campo polidesportivo, um Centro de Dia, e um parque florestal».

Houvesse tanto empenho na acção social como nos empreendimentos turísticos de interesse público e a qualidade de vida dos munícipes seria consideravelmente melhor. Nas autarquias, promoção e desenvolvimento turístico continua a ter como sinónimo exclusivo construção civil.

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