O apetite voraz dos mercados
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Vives mais? Então tens que indemnizar o capital e trabalhar mais. É claro que qualquer mordomo da economia de mercado diz imediatamente que apenas assim é possível garantir a sustentabilidade da segurança social, esquecendo que é o seu próprio modelo de produção que assim o exige. E, mesmo dentro desse modelo, exigem que o aumento de custos da segurança social sejam assegurados pelo trabalhador e nunca por aquilo que por ele é produzido.
O enorme avanço tecnológico não serviu para reduzir a jornada laboral, apenas para aumentar a produção. Viver para trabalhar, trabalhar para sobreviver - é o que este modelo de produção nos oferece, que apelativo...
Se por cada ano que vivo "acima do esperado" tenho que trabalhar mais, então obrigadinho mas para isso dispenso a economia de mercado. Opto por um sistema e modo de produção que me trate como humano e não como alguém cuja existência só é válida porque e quando produz mais-valia para o capital.
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Falando concretamente do caso nacional, César das Neves considera que a actual crise financeira internacional deveria afectar Portugal “com mais violência”, para estimular a economia.Ámen
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Também hoje o governo Finlandês prometeu € 4 mil milhões para "investir" em bancos e € 50 mil milhões em garantir empréstimos de bancos (ou seja absorver a sua companente de risco). Por sua vez o governo Belga vai injectar € 1,5 mil milhões de euros numa única seguradora. E ainda neste dia longo, o governo Holandês injectou € 10 mil milhões no banco ING.
E a partir de hoje, os bancos portugueses podem recorrer à garantia de € 20 mil milhões concedida pelo governo Português, que ao contrário do Alemão não estipulou qualquer condição.
Adenda às 21h: E a Suécia anunciou um plano de € 152 mil milhões. Bolas que o dia não acaba!
Adenda às 21h13: A França injectou € 10,5 mil milhões nos seis maiores bancos do país. O dia vai longo...
Adenda às 20h: E parece que a crise financeira pode criar mais 20 milhões de desempregados no próximo ano. Não há direito, estes tipos vão viver à custa dos Estados e receber "rendimento mínimo" para não trabalhar! Não há direito! Os milhões do Estado são para masturbar a economia, não para sustentar quem não quer trabalhar!
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No presente momento, os gestores privados, guiados pela ganância do lucro, perderam as poupança, as pensões de reformas e as habitações de milhões de cidadãos e voltam-se para o Estado suplicando pela sua intervenção e por gigantescas injecções de dinheiro para solucionar o problema por eles criado. Contudo, a realidade não demove a fúria privatizadora dos políticos do poder que continuam a glorificar a gestão privada como a solução para todos os nossos problemas.
No meio do caos do mundo financeiro, o governo vai privatizar 7 dos 8% que ainda detém da GALP. No passado recente a privatização da GALP fez de Américo Amorim o mais ricos dos portugueses ricos, em claro prejuízo do Estado: em pouco tempo as acções passaram a valer o dobro. Para mais, o Estado deixou de deter um mecanismo de intervenção no mercado e de regulação de preços, com o resultado à vista: uma subida de preços lesiva para os cidadãos. O dogma dispensa a confrontação com a realidade.
Em Aveiro decorre um processo de privatização igual a tantos outros: a empresa de mobilidade (MoveAveiro) chegou ao ponto de ruína financeiro e patrimonial, onde os autocarros avariados são já tantos que os disponíveis nem sempre chegam para garantir o serviço. Os responsáveis por esta situação alvoram que a privatização é a única solução. Para tal vai-se concessionar a empresa às fatias, sendo de esperar que a autarquia continue com os serviços economicamente deficitários ao passo que os lucrativos são concessionados, agravando o défice de exploração. Para mais, trata-se de um negócio puramente rentista: a autarquia pagará uma renda até 1,25 milhões de euros anuais a quem concessionar os serviços. Portanto, o cidadão deixa de financiar um serviço público e passa a ser o garante do lucro de um negócio privado. A ideologia justifica-se a si mesma: num sistema liberal a acumulação de capital é justificada pela existência de risco, porém neste tipo de negócio o Estado assume o risco deixando o lucro para o privado.
Um pouco por todo o lado, as autarquias avançam freneticamente para a privatização da água. A apropriação privada deste recurso natural é ilegítima e injustificada: a água não é produzida e existe em quantidade limitada, pelo que a sua posse confere uma vantagem competitiva ao proprietário, sem que se gere qualquer mais-valia para a sociedade. Mas, para além desta questão, a privatização da água é também um mau negócio.
A escassez de água potável é cada vez mais notória: durante o Verão, Barcelona viu-se obrigada a importar água em navios e a impor inúmeras limitações ao seu uso. Porém, Portugal continua com um modelo de turismo assente em campos de golfe.
Se em Portugal a privatização da água é um fenómeno recente, nos Estados Unidos já data dos anos ’90 e regista-se agora um fenómeno interessante: inúmeras comunidades contestam fortemente o serviço privado de águas. Em vários condados o serviço de água foi mesmo comprado de volta ou, quando os privadas não a queriam vender, foi expropriado e nacionalizado. De facto, a água na esfera privada triplicou de preço, e com a nacionalização o seu preço baixou 55%. A gestão privada da água é regida pelo lucro e não pela preservação do recurso nem pela importância do serviço público. É isto que nos espera, mas a crença teleológica dispensa a análise da realidade.
No fundo, estas e outras privatizações respondem ao preceito ideológico de que o cidadão não detém qualquer direito, mas apenas necessidades que são suprimidas na esfera do mercado. É pois irrelevante se o negócio é bom ou mau, já que a fé torna o pensamento imune à realidade.
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