quinta-feira, julho 21, 2011

A democracia das salas escuras e das palmadinhas nas costas


Ontem vi, pela primeira vez numa reunião da Assembleia Municipal (AM), ameaças de punho cerrado a deputados, o que levou um dos presentes a chamar a polícia. O relato está bem descrito aqui e aqui, onde são referidos elementos da direcção do Beira-Mar e elementos da coligação PSD/CDS-PP.

Já eram 2 horas da manhã e estávamos no início da suspensão de trabalhos que durou mais de uma hora para que PSD, PS, CDS e PCP negociassem às escondidas e apenas com os líderes de bancada presentes. Em causa, o contrato de cedência do estádio municipal ao Beira-Mar, chumbado anteriormente em reunião de Câmara. Esse chumbo só foi possível porque dois vereadores da coligação de direita votaram contra, tendo-lhes sido retirada a confiança política [saber o que está em causa].

«Em cinco horas, as bancadas do PS e do PSD mostraram na reunião da Assembleia Municipal de Aveiro que não seria possível um entendimento entre os dois partidos para viabilizar uma nova tentativa de aprovação do contrato de gestão do estádio municipal, a assumir pelo Beira-Mar mas em menos de uma hora, durante uma interrupção dos trabalhos, num encontro fechado, entre os líderes partidários, incluindo do PCP, CDS e BE, foi alcançado um acordo.»
De referir que o BE saiu da sala e da negociação quando se percebeu os contornos do arranjinho. Mais tarde foi solicitada novamente a sua presença e ficou ainda mais claro que se tratava não de uma negociação, mas de uma sessão de "uma mão lava a outra" entre os partidos comprometidos com as trapalhadas.

Tudo bons rapazes

Já com os ânimos calmos, ontem em plena AM a direcção do Beira-Mar dialoga com a Presidência da concelhia do PS (foto Notícias de Aveiro)

PSD/CDS-PP venderam o terreno das piscinas ao clube por 1,2 milhões de euros, numa madrugada de sábado, sendo imediatamente revendido pelo clube a uma imobiliária por 2,5 milhões. Tudo isto na presença do Presidente da Câmara. O clube recebeu o dinheiro mas, ainda não pagou à autarquia! Às autoridades judiciais, o Presidente da Câmara - que reteve o cheque do Beira-Mar até este expirar - disse ser licenciado em filosofia e que portanto não percebia nada de cheques!

No passado, o PS fez um protocolo com o clube em que entregava gratuitamente o uso do estádio ao clube e que em seguida alugava os camarotes desse mesmo estádio por 500 mil euros/ano! O actual Presidente do clube foi o cabeça-de-lista do PCP à Assembleia Municipal em 2005 e 2009 e hoje defende em tribunal que o clube não tem que pagar à autarquia o terreno das piscinas que revendeu!

Depois de cinco horas de divergência pública, o acordo foi conseguido longe do olhar de todos. Só assim poderia ser. Os bons rapazes precisavam de ficar bem na fotografia.

Entregar o estádio fingindo que o clube pagará o terreno das piscinas


Quando o Bloco foi solicitado a juntar-se novamente à reunião foi para ouvir a grande divergência que os prendia há uma hora naquilo. O PS queria que o clube fosse obrigado a apresentar uma garantia do pagamento da dívida; o PSD queria que o clube apresentasse apenas um plano de pagamento; o PCP ia dizendo que sentia que a apresentação da garantia não seria um problema para o Beira-Mar. O próprio presidente da autarquia foi chamado para garantir que o clube não tinha condições para pagar.

Lá chegaram a uma proposta de compromisso, que todos estavam conscientes ser letra morta mas que ficava bem na imprensa: essa dívida deve ser «“efectivamente liquidada ou com condições de pagamento” previamente à assinatura do contrato com a apresentação de garantias no prazo de 90 dias após as partes rubricarem o acordo». Primeiro entrega-se o estádio, três meses depois recebe-se a garantia de pagamento. Garantia para aquilo que sabem que garantidamente não será pago. O próprio Presidente do Beira-Mar garantiu-o logo de seguida em conferência de imprensa nas instalações da própria AM!!!

Quando a democracia é escondida do olhar de todos numa sala escura, é para isto...


Via Verde
Ainda na AM, pública, Miguel Fernandes - vereador que lhe viu retirada a confiança política e todos os pelouros - alegou fraudes à lei e financiamento ilegal de clube profissional de futebol. Numa AM extraordinária, observei a extraordinariedade de algumas coincidências:

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sábado, julho 09, 2011

Investimento ou dinheiro à custa de decisões políticas?

Beira-Mar teme a desistência do "investidor" Majid Pishyar face ao chumbo da cedência gratuita do estádio municipal à SAD. Este chumbo só foi garantido com o voto contra de dois vereadores da maioria. O PP já retirou a confiança política a um, o PSD quer que a outra renuncie ao lugar. Já se sabe, Vereador não empata negócio! Não admira o medo da fuga do investidor, o investimento desde o início tem assumido a forma de gerar dinheiro à custa de decisões políticas. Gorando-se essa garantia, a coisa não dá retorno.
Também se sabe, os negócios não podem ser derrotados pela democracia. Autarquia e clube já procuram uma nova forma de levar o negócio a bom porto para agradar ao investidor.

Saí centro comercial para o investidor

Em Maio a Assembleia Municipal de Aveiro atribuiu uma declaração de interesse público para a construção um centro comercial multi-funções na zona do estádio. (A declaração permite alterar o estatuto do solo de uso florestal para construção de equipamento). O terreno é da Câmara, o centro comercial será de um privado, não se sabendo como lhe vai parar o terreno às mãos. Contra o que é habitual, a declaração foi pedida pela CMA e não por um privado, para mais com caracter de urgência.
Escassos dias antes, tinha sido divulgada a iminência do Beira-Mar se transformar em SAD a ser controlada por Pishyar. No clube suíço de que é proprietário implementou um modelo de negócio baseando um centro multiusos (desde creche a clube nocturno) nas imediações do estádio. Perguntei naturalmente ao executivo se este centro comercial seria um investimento deste futuro proprietário da SAD. Foi categoricamente negado, não havia ainda investidor, ainda o iriam procurar. Demonstrando uma enorme capacidade de trabalho encontraram um investidor passada uma semana, surpresa: Majid Pishyar!

Saí um estádio para o investidor da mesa 65

A CMA contraiu um avultado empréstimo dando como garantia um plano de saneamento que previa a concessão do estádio municipal por 65 milhões de euros. Tentaram agora concessionar o estádio de borla à futura SAD do investidor.
Recorde-se ainda que autarquia e clube tem um negócio pendente. Numa madrugada de sexta-feira para sábado, pela calada da noite, a CMA vendeu o terreno das piscinas por 1,2 milhões de euros ao Beira-Mar, que minutos depois o revendeu a uma imobiliária por 2,5 milhões. O clube pagou com um cheque careca! Apesar de já ter recebido o dinheiro do terreno que revendeu, ainda não o pagou à autarquia.

Assim se vê a força de um bom negócio

PSD e CDS disputam a posição de ponta de lança do negócio, mas o jogo não se joga só em frente à baliza. O clube é presidido pelo único deputado municipal do PCP, António Regala (tem pedido sucessivas substituições que são lidas no início de cada reunião da AM) que negociou a SAD com uma enorme particularidade: o iraniano assumia todas as dívidas do clube... excepto as do clube à autarquia!!!! Há dívidas mais dívidas que outras... Curiosamente, o PCP foi o único partido da oposição a votar favoravelmente a declaração de interesse público que permite o centro comercial, assim como foi o único a votar o protocolo que permitiu a "venda" do terreno das piscinas.
Entretanto, a direcção do Beira-Mar, presidida por António Regala, emitiu um comunicado que fica para a história da luta, sobretudo tratando-se do negócio em causa: "é um crime lesa-pátrica desprezar a vontade de investimento". Sobre os vereadores que democraticamente e em consciência votaram contra um negócio que lhes levantava muitas dúvidas, acusam de "interesses mesquinhos de uma pseudo-coerência (...)".
Já antes, em entrevista (pag. 1, pag. 2) António Regala assumiu "Não é o futebol que dá dinheiro e ele terá outros interesses comerciais". Ora o que leva um investidor a fazer da sua âncora de negócio uma SAD que sabe dará prejuízo? Só fará sentido se quiser beneficiar da posição social e das ligações fáceis às decisões políticas que o lugar lhe confere, não? Da parte de Pishyar esta é uma atitude normal, quer ganhar dinheiro e por enquanto parece estar a fazer pela vida. Já não considero normal as sucessivas decisões da autarquia que vão ao encontro desse único desígnio.

O que nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?

Centro comercial: nasceu primeiro a vontade pública autárquica ou o interesse privado de um investidor? Estádio: nasceu primeiro a vontade pública de o concessionar gratuitamente ou o interesse privado de o deter gratuitamente? Quem representa afinal a Câmara Municipal de Aveiro?

Como é se retira a confiança política em Aveiro?

Dos dois vereadores PSD/CDS que votaram contra a indicação dos seus partidos, um já perdeu a confiança política e a outra é pressionada a sair. Em qualquer lugar retira-se a confiança política por o político enveredar por negócios estranhos ou por ir contra o seu programa eleitoral.
A direita de Aveiro é contudo bem mais refinada. O seu programa eleitoral é completamente omisso sobre o futuro do estádio, mas o plano de saneamento financeiro que PSD/CDS elaboraram no mandato anterior é bastante claro: o estádio é concessionada por 65 milhões de euros. E, face a toda esta embrulhada, não é difícil perceber que estes sucessivos negócios tem sido no mínimo mal explicados.
Em suma, Miguel Fernandes e Vitória Neves estão a ser empurrados para fora do executivo porque votaram de acordo com o seu compromisso e dos seus partidos (plano de saneamento financeiro) e porque votaram contra um negócio que certamente lhes levantava muitas dúvidas, sendo que o Presidente da Câmara negou qualquer período de discussão antes da votação. É assim, para o PSD e CDS de Aveiro os negócios são mais fortes que os compromissos que assumem com a população e com o Tribunal de Contas!

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sexta-feira, agosto 28, 2009

Promiscuidades à Beira-Mar


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terça-feira, agosto 25, 2009

Excelente negócio: vender abaixo do preço de mercado


Élio Maia fez hoje uma conferência de imprensa em que a propósito da negociata dos terrenos das piscinas avança com a estratégia de vitimização: o «processo foi levantado para prejudicar» a campanha da sua recandidatura à Câmara de Aveiro. Não me digam que as decisões que Élio Maia toma enquanto Presidente de Câmara vão ser chamadas à campanha! Estou claramente chocado!

«O valor da piscina e terreno, 1,2 milhões de euros, terá sido indicado pelo auditor externo que avalia o património municipal e permitiria “boas perspectivas” do clube retirar mais valias por prescindir dos protocolos anteriores.» - Élio Maia continua a insitir que a CMA vendeu o terreno abaixo do custo de mercado, contrariando a decisão da CM e da AM. Ora, ajudem-me: vender património camarário abaixo do preço de mercado a um clube profissional de futebol, como se chama? Élio Maia afirma ainda «ter sido vítima de “má fé” dos responsáveis do Beira-Mar», o que dado o contexto e fazendo fé nas suas declarações... é declarar-se anjinho!

Mas a questão é acima de tudo política: Élio Maia não se pode escudar na aprovação desta venda na CM e na AM, já que é essa decisão política que está em causa. Vender património público por uma bagatela como Élio Maia admite é delapidar o erário público, é pagar uma dívida com recurso a verbas de especulação imobiliária e é perder equipamento de interesse público como a única piscina olímpica do concelho. Para mais, como foi noticiado e como José Cachide volta a confirmar, no passado recente uma empresa ofereceu 4 milhões de euros pelo terreno e agora, os dirigentes do Beira-Mar admitiam 9 milhões como o preço de mercado. Todos admitem que o terreno foi transacionado abaixo do preço de mercado!

Como se isto não bastasse, temos como cereja no topo do bolo os actos transparentes de efectuar as transações de madrugada, de a manter secreta durante quase um mês até ao Beira-Mar a divulgar (apenas após encerrarem as piscinas) e a história do cheque que Élio Maia reteu sem qualquer fundamento legal e que deixou expirar.

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Negócio milionário, negócio irregular

Imagem Correio da Manhã
«A Polícia Judiciária de Aveiro investiga um negócio irregular de 2,5 milhões de euros feito entre o presidente da Câmara de Aveiro, Élio Maia, o dirigente do Beira-Mar e uma empresa imobiliária, no qual o cofre da autarquia ficou sem cerca de 1 milhão e 300 mil euros. Há suspeitas de financiamento ilegal ao Beira-Mar, através de uma verba-fantasma de um terreno.»
(...)
«Os cheques com datas para serem cobrados têm de entrar nos bancos no prazo de oito dias, após a data que está inscrita. Caso seja depositado no dia seguinte, a entidade bancária pode levantar obstáculos. E se a conta já não tiver provimento, o lesado já não pode accionar judicialmente o devedor. Terá sido este o caso do misterioso cheque do Beira-Mar.» (...)
Élio Maia também já chegou à Sic-Notícias...

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Temos poeta

É quem trabalha... nas madrugadas de sexta para sábado em notários privados a fazer negócios em cadeia e às escondidas!

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sexta-feira, agosto 21, 2009

Élio Maia, o presidente que paga e não recebe


Élio Maia é o Presidente de Câmara que paga, o que dá um jeitão: não precisamos pagar impostos. Élio Maia é também o Presidente de Câmara que não recebe. Élio Maia é de facto um candidato único!

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O negócio do terreno das piscinas parece cada vez melhor


(...) Armindo Sequeira justifica o envio da notificação à Nível II, “em carta registada”, para que, posteriormente, a empresa não alegue que “não sabia”, explica. Mas o advogado diz que se trata de um “negócio escondido”.

Antes de ser vendido pelo clube à imobiliária, a Câmara vendeu o terreno das piscinas por 1,2 milhões de euros ao Beira-Mar que, posteriormente, o vendeu por 2,5 milhões de euros. Mas o advogado aponta para várias “irregularidades” neste negócio: o Beira-Mar “devia ter pago no acto à Câmara, com um cheque visado, o cheque foi guardado na gaveta, tinha o prazo de validade expirado, não tinha cobertura e tinha apenas duas assinaturas quando deviam ser três”. Armindo Sequeira tem uma opinião sobre a atitude de Élio Maia neste processo: “não acredito que não soubesse que o prazo tinha expirado”. O advogado está convencido que foi “tudo combinado e a Câmara não recebeu o dinheiro”.

Por outro lado, o causídico deixa no ar outra questão. Entende que a avaliação do terreno não deveria ter sido feita por uma empresa privada mas sim pela Direcção-Geral do Património “para não haver suspeições” porque um particular “põe o valor que quer”.

Por tudo isto, o advogado diz que este caso “chegará ao Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DIAP), mais tarde ou mais cedo, e infelizmente chegará aos tribunais”. (...)

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domingo, agosto 16, 2009

As contradições de Élio Maia



No protocolo estabelecido entre a autarquia Aveirense e o Beira-Mar, de onde é originário o negócio, pode ler-se: «Transferir para o SCBM, ate ao dia 31 de Dezembro de 2008, a propriedade total do prédio onde se encontra implantado o Complexo Desportivo de Piscinas, sito na Rua das Pombas, em Aveiro, através da competente escritura publica de compra a venda, pelo preço da avaliação patrimonial de 1.283.200,00€ (um milhão duzentos e oitenta e três mil e duzentos euros) constante do inventario municipal [...]».

Aliás, quando o executivo levou este protocolo à Assembleia Municipal, Élio Maia foi bem claro: «Como é que se avaliou o milhão, duzentos e sessenta e três? Pronto, essa avaliação é uma avaliação externa ao município, externa, feita por uma entidade externa, feita mesmo no final do mandato anterior e acho que são duas provas de isenção que nós temos neste processo.» - Élio Maia [07/11/2008]

As declarações de Élio Maia ao Público são gravíssimas. O protocolo foi realizado e votado no pressuposto de que a avaliação corresponde ao valor do terreno. Agora Élio Maia reconhece que a avaliação estava feita por um preço inferior, de forma a permitir ao Beira-Mar gerar mais-vailas urbanísticas.

Os membros do executivo camarário tem adoptado um discurso legalista para justificar como legal uma decisão que lesou o interesse público. Onde andam esses mesmos legalistas, tão céleres a ameaçar processos judiciais noutras ocasiões, ao lerem estes dois textos de Raul Martins [1, 2]?

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sábado, agosto 08, 2009

Para o óbvio não é preciso ser adivinho

quinta-feira, agosto 14, 2008

Exemplos contrários a grandes negócios


A Câmara Municipal da Maia obteve 8 milhões de euros do QREN para remodelar o parque escolar do concelho. Em Aveiro a coligação, os números e a situação são semelhantes, contudo a opção política foi diferente. A autarquia aveirense podia ter concorrido para obter 8,5 milhões do QREN e entrando com os outros 3,6 milhões. Contudo, a autarquia preferiu uma estranha parceria onde, para além de assumir o risco do investimento, irá gastar 36 milhões de euros - 10 vezes mais!

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sexta-feira, junho 13, 2008

É preciso lata

100 Cans, 1962, Andy Warhol
Hoje, Élio Maia quer ver aprovado na Assembleia Municipal um empréstimo de 58 milhões de euros para pagar as muitas dívidas da autarquia. No mesmo documento explicita os investimentos camarários, por si decididos para os próximos anos, incluíndo a parceria publico-privada onde a autarquia vai pagar 36 milhões de euros pela renovação do parque escolar, quando o poderia fazer por apenas 3,6 milhões de euros.

No dia em que pede 58 milhões de euros, a autarquia anuncia que vai gastar 33 milhões de euros a mais num negócio (dez vezes mais do que seria possível, sem qualquer justificação convincente). É só impressão minha ou cheira a gozo com os munícipes?

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segunda-feira, junho 02, 2008

Excelente negócio


De acordo com o plano de saneamento financeiro, a autarquia pagará 36 milhões de euros pelas escolas, para além de perder as receitas dos parques de estacionamento.

De acordo com a carta educativa, o custo previsto das escolas é de 12.105.900 euros. Se, a exemplo de várias autarquias, a Câmara Municipal de Aveiro concorresse a verbas do QREN com financiamento de 70% a fundo perdido... o custo das escolas para a CMA seria de 3.631.770 euros.

De referir ainda que a avaliação patrimonial das escolas a desactivar - e cujo património pode ser alienado, caso se prove benéfico - é superior a 5 milhões de euros.

Portanto, com o modelo rentista escolhido, a CMA pagará dez vezes mais pelas escolas do que se escolhesse um modelo isento de risco, e pagará três vezes mais que o custo real das obras. O privado para além destas verbas recebe ainda as receitas dos parques de estacionamento. Há negócios fantásticos, não há?

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domingo, maio 04, 2008

Grandes investimentos

A semana passada, vi no jornal Público, o Presidente da Académica a defender a construção de um novo estádio em Coimbra, mais pequeno e com custos de manutenção mais baixos...

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segunda-feira, abril 21, 2008

Passar por entre os pingos de chuva



Para quem viu a primeira conferência de imprensa (no vídeo é a segunda) esta história poderia muito bem ser de guerrilha mediática digna de Luther Blissett.

Entretanto, tivemos direito a mais: «Mas a actuação dos dirigentes do Boavista só seria desencadeada sexta-feira, quando Sérgio Silva mostrou a ordem de transferência bancária do Banco Privado Português (BPP) que continha erros grosseiros de português. Estava escrito, por exemplo, "balor" em vez de valor.»

Sérgio Silva é arguido, embora tenha acabado por não lesar o Boavista num cêntimo. João Loureiro fez este extraordinário negócio e ainda não se molhou. O deputado do PS José Lello também está seco.

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quarta-feira, abril 16, 2008

Escolhas sensatas e outras

Hoje no Diário de Aveiro: O presidente da Câmara de Oliveira do Bairro anunciou que a futura escola do primeiro ciclo do concelho, orçada em 2,2 milhões de euros, vai ser apoiada em 70 por cento pelo QREN. A Câmara de Aveiro poderia seguir ou ter seguido o mesmo caminho para a construção de escolas?


O presidente da Câmara de Oliveira do Bairro tomou uma opção inteligente, lógica e sensata. É uma opção simples e transparente: o QREN paga 70% a fundo perdido e a autarquia os restante 30%, sabendo assim exactamente quanto gasta, num processo sem riscos. Obviamente, a CM de Aveiro também deveria ter seguido o mesmo caminho, isento de risco e com gastos bem quantificados.

Porém, o executivo de Élio Maia optou por constituir uma parceria público-privada onde os privados construirão parques de estacionamento subterrâneo e escolas. A autarquia passará a pagar uma renda mensal pela regular utilização das escolas, os privados ficarão ainda com as receitas dos novos 2.200 lugares de estacionamento, cujo valor contribuirá para o pagamento da renda.

Élio Maia ainda não soube dizer quanto gastará a autarquia com esta opção e quanto gastaria com a do financiamento via QREN, ainda não soube explicitar o modelo económico da parceria, não soube dizer qual será o valor renda e por quanto tempo será paga, ainda não apresentou nenhum estudo de viabilidade dos novos parques estacionamento nem comprovou a sua necessidade, ainda não clarificou quem ficará com o risco do investimento. Considero inadmissível que o negócio tenha avançado sem que estas questões tenham sido esclarecidas.

Ora, o que acontecerá se os parques de estacionamento não derem lucro? Um cenário provável atendendo a que os que existem estão com taxas de ocupação na ordem dos 20%. Será a autarquia a financiar o prejuízo, através do aumento da renda mensal?

E se ocorrer o caso improvável do estacionamento dar lucros astronómicos? A autarquia continuará a pagar a mesma renda mensal, mesmo depois das receitas do estacionamento já terem pago as escolas, pagando na prática várias vezes o preço das escolas?

Estas duas questões - que já coloquei directamente e ficaram sem resposta - fazem prever uma estranha forma de capitalismo: investimento privado, risco público. O negócio que a autarquia entregará ao parceiro privado não será o estacionamento, mas sim uma expectativa de negócio que, com o cruzamento das rendas, fará com que seja a autarquia a assumir o risco do investimento.

Não tenho dúvidas em considerar este negócio rentista como péssimo para as finanças municipais e o interesse público. A autarquia deve quanto antes cancelar este estranho negócio que mistura estacionamento, escolas e deixa a autarquia refém de rendas.

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quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Uma decisão, 25 anos a penar


A CMA desrespeitou a lei e não respondeu ao meu requerimento, contudo já podemos ter uma ideia da taxa de ocupação dos parques de estacionamento privados na cidade: inferior a 25%.

Ora, face a estes números qual a opção da CMA? Construir quatro novos parques subterrâneos num total nunca inferior a 2.200 lugares. Faz sentido - em especial porque é um negócio de rendas cruzadas com outro negócio, e porque vem a caminho um agravamento das condições e custo do estacionamento à superfície.

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terça-feira, fevereiro 12, 2008

Credor VIP

Depois do falhanço do caso do terreno das piscinas subsiste o tratamento diferenciado. Diferença no tratamento da CMA com os restantes credores. Diferença no tratamento da CMA com as restantes empresas municipais (MoveAveiro).

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sábado, fevereiro 09, 2008

Alcochete foi uma excelente ideia da CIP

Travessia de Öresund, que combina ponte e túnel, e une a Dinamarca à Suécia

Parece que a nova travessia do Tejo será ainda mais cara que a ponte Vasco da Gama. Esta última custou 897 milhões, quanto à nova travessia sugerida pela CIP no âmbito do Aeroporto de Alcochete: [o]s custos totais "muito preliminares", seriam de 1,1 mil milhões, e será toda modernaça combinando ponte e túnel como a da imagem acima.

A Confederação da Indústria Portuguesa sabe o que faz, aguardemos pela decisão técnica do LNEC.

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domingo, fevereiro 03, 2008

Euro2004, esse desígnio imobiliário nacional


Hoje, quatro anos depois e porque o relvado do estádio novo não tem condições, o Beira-Mar vai jogar no estádio velho para contentamento de grande parte dos sócios.

Ora, ambos os estádios são propriedade municipal, e ainda hoje e sem manutenção o estádio velho tem condições para receber o Beira-Mar... então, porque raio é que a Câmara Municipal [PS] decidiu construir um estádio novo para o Euro2004? Para receber dois míseros jogos? A decisão é tanto mais incompreensível já que o estádio custou 64 milhões de euros, a CMA gasta 800 mil euros/anos na sua manutenção e este, com 30 mil lugares, está sempre às moscas.

Uma das razões apontadas é que permitiu criar uma nova centralidade na cidade. E o que quer isto dizer? Quer dizer que aquilo que era um pinhal à entrada da cidade será no futuro próximo um campo de golfe, hotéis e vivendas de luxo! Tudo isto em terrenos comprados pela autarquia por uma bagatela (média de € 7.00/m2) e que agora, quase por artes mágicas, pertencem a uma empresa de capital maioritariamente privado sem que a CMA [PSD-CDS] tenha recebido qualquer dinheiro pelos terrenos e no processo ainda perdeu a maioria de capital dessa empresa, sem concurso público e sem receber nada em troca. Os privados ficam com o lombo, o público com o osso: o Parque Desportivo de Aveiro (leia-se empreendimento imobiliário) já é maioritariamente privado, o estádio novo é todo ele público.

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